Beirute - O primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, anunciou a renúncia do governo nesta segunda-feira (10), quase uma semana depois da megaexplosão que destruiu grande parte de Beirute e deixou mais de duas centenas de mortos.
A saída do premiê era uma das principais exigências dos manifestantes que tomaram as ruas do país durante o fim de semana. No discurso transmitido pela TV no qual anunciou a sua saída, Diab fez coro às críticas dos manifestantes e atacou a elite política do país.
CORRUPÇÃO ENDÊMICA
"Esse desastre é o resultado da corrupção endêmica", disse o premiê. "Eu já disse que a corrupção está encrustada em todas as partes do Estado, mas descobri que a corrupção é maior do que o Estado", completou ele.
"A classe política está usando todos os truques sujos para impedir uma mudança real", afirmou.
A renúncia de Diab e do restante do gabinete foi aceita pelo presidente Michel Aoun, mas ele e seus ministros devem permanecer em seus cargos até que um novo governo seja formado.
O poder no Líbano é considerado uma colcha-de-retalhos entre facções políticas dominadas pela religião e correndo por fora o grupo Hezbollah (na tradução livre, o Partido de Alá), uma organização paramilitar fundamentalista islâmica na visão oriental. No Ocidente, especialmente nos EUA, é visto como uma organização terrorista.
HEZBOLLAH NO CONTROLE
O Hezbollah no Líbano surgiu inicialmente como uma milícia, em resposta à invasão israelense do Líbano de 1982, também conhecida como Operação Paz para a Galileia, e continuou a resistir contra a ocupação israelense do Líbano por toda a Guerra Civil Libanesa. Hoje em dia o grupo se transformou numa organização que tem assentos no parlamento libanês, uma rádio e uma estação de televisão via satélite.