Pensando em combater o analfabetismo funcional no País, o atual ministro da Educação, Milton Ribeiro, promete focar a sua gestão no ensino básico. Formado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Bauru, ele assumiu o cargo no último dia 16. Na manhã desta segunda-feira (10), o titular da pasta esteve no município para receber uma homenagem da instituição. Ele foi recepcionado pela reitora da ITE, Cláudia Queda, e pelo presidente do Conselho Gestor do local, Flávio Toledo.
O ministro acredita que a aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) junto ao Congresso Nacional seja uma das primeiras conquistas da sua administração.
Para ele, o grande equívoco das gestões anteriores consistia em evidenciar o ensino superior. "Então, houve uma grande disseminação de universidades federais pelo Brasil. Não que o País não precisasse, porém, quando nós construímos uma casa, não podemos começar pelo telhado", argumenta.
Ainda de acordo com Ribeiro, as crianças, principalmente, aquelas ligadas às escolas públicas chegam aos 9 anos analfabetas funcionais. "Quando as pessoas entram nas universidades, elas não conseguem entender o que leem".
O ministro reforça, também, que o presidente Jair Bolsonaro pediu que ele olhasse com carinho para as crianças e os cursos profissionalizantes. "Portanto, o meu foco está mesmo na educação básica", acrescenta.
VOLTA ÀS AULAS
Questionado sobre a sua opinião acerca da volta às aulas das crianças e dos adolescentes, o titular da pasta afirma que não cabe ao Ministério da Educação (MEC) tomar qualquer posição neste sentido. Segundo ele, o Conselho Nacional de Educação (CNE) elaborou um parecer que delegou aos pais a decisão de enviar os filhos para as escolas. "Os Estados têm autonomia administrativa e ao MEC compete apenas os conteúdos".
Além disso, Ribeiro frisa que o seu principal desafio perante à pasta será levar a população a entender a importância da educação. "Nenhum país conseguiu obter qualquer progresso sem investir nesta área".
Na opinião do ministro, o MEC precisa ter uma postura um pouco mais pacífica. "Nesta semana, eu participei de uma reunião com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Embora grande parte dos envolvidos apresentasse uma visão política diferente da minha, nós possuímos algo em comum, afinal, amamos a educação. Logo, precisamos focar neste ponto para seguirmos adiante", exemplifica.
O titular da pasta afirma que o fato de ser evangélico o ajuda a ter maior controle. "Porém, eu sei aonde quero chegar. Tanto que, após a posse, já tirei cerca de dez pessoas de valor do MEC, mas com uma visão diferente da minha", narra.
HOMENAGEM
O ministro, diagnosticado com coronavírus em 20 de julho, pretendia agradecer as escolas por onde passou tão logo se recuperasse da Covid-19. "A ITE é uma casa de grandes educadores e eu senti uma emoção muito forte quando recebi o convite da reitora para participar desta solenidade", exalta.
Presidente do Conselho Gestor da instituição, Flávio Toledo exalta o sucesso do ex-aluno. "Para mim, pessoalmente, é uma alegria maior ainda, porque nós nos formamos na mesma turma", revela.
Ontem, ele e a reitora da ITE, Cláudia Queda, descerraram uma placa com a foto do ministro no hall de entrada da instituição. Depois, Ribeiro participou de uma conversa online com os professores da faculdade. Ele recebeu, ainda, uma medalha concedida aos ex-alunos que se destacam.