08 de julho de 2026
Internacional

Candidata de oposição da Belarus foge para Lituânia

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Bruxelas - A principal candidata da oposição bielorrussa, Svetlana Tikhanovskaia, deixou Belarus (também chamada de Bielorússia) na madrugada desta terça (11), durante a segunda noite de repressão violenta da polícia contra manifestantes que protestam contra o resultado das eleições.

Dados oficiais deram ao atual líder autocrata, Alexandr Lukachenko, 82% dos votos, número considerado questionável por governos europeus, pela União Europeia, por analistas políticos e por oposicionistas e manifestantes bielorrussos.

Tikhanovskaia, 37, foi para a Lituânia, depois de ter ficado detida pelo governo bielorrusso por sete horas, segundo o ministro das Relações Exteriores lituano, Linas Linkevicius. Na manhã de segunda, ela afirmou em entrevista coletiva que a eleição havia sido "extensamente fraudada" e registrou uma queixa na Comissão Eleitoral da Belarus e foi retida.

Em vídeo divulgado na manhã desta terça e reproduzido em canais governistas da Belarus, a candidata, de olhos baixos e voz abatida, leu uma declaração pedindo aos bielorrussos que "não saiam para as ruas e cumpram as leis".

"Esta campanha me atingiu como um tiro. Pensei que poderia sobreviver a tudo, mas provavelmente ainda sou a mesma mulher fraca que era antes de assumi-la", disse em um segundo vídeo, gravado na Lituânia.

COM OS FILHOS

Dona de casa e mãe de dois filhos, Tikhanovskaia assumiu a candidatura depois que seu marido, o blogueiro Siarhei Tikhanovski, foi preso pelo regime de Lukachenko. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ela disse que refletiu muito após enviar seus filhos para fora da Belarus, sob ameaças, mas concluiu que não poderia deixar a campanha e trair a confiança de seus apoiadores.

"Deus livre qualquer um de vocês de ser forçado a fazer a escolha que tive que fazer. Nenhuma vida vale o que está acontecendo agora. As crianças são a coisa mais importante em nossas vidas", afirmou ela no vídeo gravado na Lituânia.

A reação desproporcionalmente violenta do governo bielorrusso, que deixou ao menos um morto na última noite e centenas de feridos, presos e desaparecidos, foi condenada por vários governos europeus.