08 de julho de 2026
Geral

Bauruense defende ozonioterapia como tratamento complementar da Covid-19

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Tratamento complementar para doenças como o câncer, a ozonioterapia está na lista do SUS, desde 2018. Nos últimos dias, contudo, a terapia ganhou destaque após o prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, anunciar que a cidade participaria de um estudo para utilizar a aplicação, por via retal, no tratamento da Covid-19. A possibilidade provocou uma onda de questionamentos. Usuário, defensor e promotor da ozonioterapia, o bauruense Carlos Eduardo Faraco Braga defende o método como seguro e afirma que há evidências científicas preliminares no tratamento complementar de coronavírus.

"Em nenhum momento foi dito que a ozonioterapia cura a Covid-19. Ela é uma terapia complementar para todas as doenças e também pode ser usada no tratamento à Covid-19. Eu não falo aqui como médico, porque não sou, mas falo como usuário, defensor jurídico e promotor de ozonioterapia", afirma Braga, advogado e ex-deputado estadual, que, inclusive, defendeu no Congresso Nacional a regulamentação da prática.

Acometido em 2012 por câncer de esôfago com comprometimento do pulmão e traqueia, em estágio 4, ele se tornou estudioso da ozonioterapia. "Eu sei o que ela pode fazer no corpo de uma pessoa, então, defendo. Não foi ela que me curou e ressecou o tumor, mas ela e meu estilo de vida mais saudável colaboraram muito", comenta ele, explicando que o ozônio contribui para a renovação com maior nível de oxigênio das células sadias, além de ter ação anti-inflamatória, antibacteriana e antiviral. "Como o paciente com Covid tem inflamação, geralmente pulmonar e em outros órgãos, a atuação do ozônio vem para ajudar", completa.

EXPECTATIVA

Considerada entre as Práticas Integrativas e Complementares (PICs) por portaria do Ministério da Saúde, em 2018, a ozonioterapia chegou a ser regulamentada pelos Conselhos Federais de Enfermagem, Odontologia, Biomedicina, Farmácia e Fisioterapia. "Todos esses profissionais estão autorizados a prescreverem e utilizarem a ozonioterapia", explica Braga, detalhando que, via SUS, a cobertura é apenas na área odontológica.

Por outro lado, o Conselho Federal de Medicina nunca regulou a prática e aponta, em resolução de 2019, a terapia como experimental e possível apenas no escopo de estudos que observam critérios definidos pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

No caso da Covid-19, Braga diz que alguns poucos hospitais particulares do Sul adotaram a ozonioterapia, mas que a maioria das direções médicas não permite, mesmo que o paciente queira. "O Volnei [prefeito de Itajaí] é meu amigo e ele quer que as unidades de saúde municipais disponibilizem esses aparelhos de ozônio para possibilitar a terapia complementar aos pacientes", observa Braga.

'EVIDÊNCIA'

Carlos Braga diz que existem alguns artigos científicos internacionais publicados em revistas reconhecidas tratando sobre a ozonioterapia como coadjuvante no tratamento da Covid-19. "Existem evidências científicas preliminares. Os artigos tratam sobre a terapia durante a enfermidade, tanto em ambiente ambulatorial quanto grave. Há relato de melhoras no grau de inflamação e redução da carga viral. Sem contar no aumento do vigor físico e imunidade do paciente, porque o ozônio atua em várias funções fisiológicas do organismo", pontua o defensor, apontando para um artigo da revista Springer Nature, de junho de 2020.

Para ele, a falta de incentivo ocorre pelo fato de a prática não poder ser patenteada por serem procedimentos simples e baratos.