10 de julho de 2026
Geral

Não há previsão para Bauru ter inquérito sorológico da Covid-19

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Importante para a compreensão da evolução da Covid-19, o inquérito sorológico não tem previsão para ser retomado pela Prefeitura de Bauru. Para ser aplicada, a pesquisa, que funciona por meio de amostragem da população, precisa de testes rápidos, mas todo o contingente recebido e comprado pelo município tem sido direcionado, atualmente, para ações de testagem e contenção de infectados, já que a cidade passa, inclusive, pelo período crítico da doença, segundo autoridades.

A diferença entre as ações de testagem e o inquérito sorológico é que o segundo é um método de estudo que possui critérios científicos e parâmetros para ser realizado, como a escolha de regiões dentro do município, a seleção de domicílios e perfil dos cidadãos a serem testados. As informações do inquérito servem para retratar, por amostragem, o percentual de imunidade da população e são utilizadas como dado comparativo.

Já a testagem é considerada medida de prevenção e contenção de infectados, sem metodologia científica. É, geralmente, realizada em unidades de saúde ou em ações como o drive thru.

ESTACIONOU

Ao final de maio deste ano, a prefeitura, por meio da parceria com a Unesp, iniciou um inquérito sorológico, seguindo protocolo técnico do membro do Centro Estadual de Contingência da Covid-19, Carlos Magno Fortaleza. Na ocasião, 1,4 mil testes foram aplicados em moradores de 25 microterritórios de Bauru e, deste total, apenas dois exames deram positivos.

Esta primeira etapa da avaliação, contudo, dependia de uma segunda fase comparativa, mas o estudo municipal estacionou. "Os inquéritos continuam tendo importância, mas não temos a intenção de retomar esse tipo de trabalho agora", afirma Luiz Cortez, membro do Comitê Gestor de Enfrentamento à Covid-19 do município e diretor do Departamento de Saúde Coletiva.

Ainda em maio, houve outro inquérito em Bauru, financiado pelo Ministério da Saúde, por meio da Universidade Federal de Pelotas (RS). O estudo contratou o Ibope Inteligência e terminou em junho, mas também não apresentou resultados representativos.

Dos 250 testes aplicados em três fases, apenas um resultou positivo para a doença. "Os dados indicaram que a pandemia aqui estava no começo", observa Cortez.

MUDANÇA

De lá para cá, houve também uma mudança no entendimento da prefeitura em relação à capacidade do inquérito sorológico.

Segundo Cortez, pesquisa recente da Suécia demonstrou que a Covid-19 estimula dois tipos de resposta do organismo humano. E, em uma delas, não é possível detectar a presença de anticorpos nos testes rápidos IgG/IgM, que são justamente os utilizados no inquérito sorológico, por serem mais simples e baratos. O estudo diz ainda que essa resposta imune pode corresponder a dois terços das infecções.

"Descobrimos essa limitação do levantamento no caso da Covid-19. E é justamente a possibilidade de ele não refletir exatamente a porcentagem de pessoas que tiveram contato com o vírus, porque uma boa parcela tende a apresentar resposta imune celular", contextualiza Luiz Cortez.