11 de julho de 2026
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Jogada de mestre de Bolsonaro: 'Brasil acerta mão em dois sentidos ao enviar ajuda humanitária ao Líbano'

Samir Salmen
| Tempo de leitura: 3 min

Quando na quarta-feira 12/08, dois aviões de nossa Força Aérea rumaram para Beirute, muito mais do que 6 toneladas de carga (medicamentos, alimentos e equipamentos de saúde) doados pelo Ministério da Saúde e pela comunidade libanesa do Brasil voaram nestas aeronaves! Na realidade, os corações de 12 milhões de imigrantes libaneses, seus filhos e netos nascidos aqui voaram junto com a FAB. Sim, porque existem 3 Líbanos dentro do Brasil. Aquele pequenino país de 4 milhões de Fenícios singrou os mares e constitui hoje cerca de 5% da população brasileira.

Aqui, são milhões de pessoas como Adib Jatene, Guilhermes Afif Domingos, Raimundo Roberto Morhy Barbosa (Beto Barbosa), João Batista Sérgio Murad (Beto Carrero), Raimundo Fagner Cândido Lopes (Fagner), Maurício Mattar, Antoine Rizkallah Kanaan Filho (Tony Kanaan), David Nasser, Édson Cabariti (Bolinha), Pedro Jorge Simon (Pedro Simon), Fause Haten, Ibrahim Sued, Aziz Nacib Ab'Saber, Sabrina Sato Rahal, Daher Cutait, Salim Matar, Jorge Amado e milhares de outros...

Porém, as maiores estrelas que chegaram aos céus de Beirute não são a comitiva integrada por especialistas em assistência humanitária, senadores, autoridades federais e representantes da comunidade libanesa no Brasil para lá deslocadas, as maiores estrelas foram as aeronaves KC-390 Millennium e o Embraer 190 (VC-2). Fabricado e montado aqui pertinho, em Gavião Peixoto (SP), o KC-390 realizou com galhardia sua primeira missão de assistência humanitária internacional. Nosso gigante avião de "transporte tático apresenta o menor custo do ciclo de vida do mercado". Capaz de "executar diversas missões, como transporte de carga, lançamento de tropas ou de paraquedistas, reabastecimento aéreo, busca e salvamento, evacuação aeromédica e combate a incêndios, além de apoio a missões humanitárias", pode transportar até 26 toneladas de carga a uma velocidade máxima de 870 km/h, operando em ambientes hostis, em pistas danificadas e vai substituir os antigos C-130 em operação há 35 anos... Se tornará a espinha dorsal da aviação de transporte da FAB, ou seja, nosso orgulho da frotas!

Agora, o KC-390 inicia uma "briga comercial mundial" com nosso principal concorrente, o C-130 Hércules, da empresa americana Lockheed Martin, que hoje domina o mercado, entre eles, o trilionário mercado árabe. Tive a oportunidade de conhecer, além do Líbano e Egito, países pobres do mediterrâneo, os seus "primos ricos", como Emirados Árabes (Dubai e Abu Dabi), Qatar e Barhein, e nada se compara a eles em matéria de riqueza e desenvolvimento em relação a outros 56 países que visitei no mundo, nada! Estão " de olho" nas inflexões diplomáticas do Brasil. Recentemente, em 2019, somente a Arábia Saudita disponibilizou de seu "Fundo Soberano" investimentos de até US$ 10 bilhões de dólares no Brasil, quando da visita de Jair Bolsonaro a este país.

Usar o avião KC-390 Millennium em missões humanitárias dá uma visualização melhor da aeronave mundo afora e mostra que o KC-390 está plenamente operacional. O governo brasileiro pode aproveitar essas situações e projetar a imagem da aeronave para conquistar potenciais clientes. Nosso KC-390 possui mercado potencial de US$ 60 bilhões em previsões da Embraer.

Foi maravilhoso vê-lo chegar pelos céus de Beirute. Levou, além de ajuda, muita esperança, e os libaneses não esquecerão tão cedo, visto que a gratidão é um sentimento efêmero, mas a que vem do mundo árabe em geral é duradoura!

O autor é médico