09 de julho de 2026
Cultura

Ela não para nunca


| Tempo de leitura: 3 min

Uma das palavras mais usadas por Marina Ruy Barbosa em uma hora e meia de entrevista feita por videochamada foi evolução. Aos 25 anos, ela diz estar tentando se cobrar menos e amenizar a exigência, sempre muito alta, que estabeleceu para si mesma ao longo dos anos. "Houve momentos em que eu desejava saber de tudo por achar que, do contrário, seria menos inteligente e antenada. Hoje, tenho mais calma. Entendo que a vida é um processo e que todo mundo está aqui para aprender", analisa.

A atriz, que estreou na TV aos 9 anos, evoluiu diante do público. "Em meio a muita pressão e expectativas", frisa. Em 2014, despontou na pele da sensual Maria Ísis, em "Império", e a partir de então, foi catapultada ao lugar de protagonista em novelas e minisséries. Em paralelo, despontou como fenômeno da publicidade, da moda e das redes sociais. Hoje, fala diariamente para mais de 36 milhões de seguidores no Instagram.

Inteligente e antenada, sabe manter a imagem de boa moça intacta mesmo diante das mais rocambolescas novelas da vida real. É do tipo que vive sintonizada aos movimentos ao redor. Num passado não muito distante, colecionava likes com "looks do dia", hoje veste a camisa da sustentabilidade e lança marca de moda para chamar de sua, não por acaso batizada Ginger (ruiva, em inglês). O lucro das vendas da primeira coleção será integralmente revertido para a Gerando Falcões, que incentiva a profissionalização e o empreendedorismo de jovens da periferia no universo da tecnologia e da inovação. Quer saber mais? Veja o que ela diz sobre...

Ginger

"Esta marca é um filho para mim. Sempre gostei de moda. Como atriz, tive a oportunidade de viajar, assistir a desfiles e estar perto de designers. Meu interesse foi aumentando. Já tinha a ideia da grife, mas estava sempre emendando uma novela na outra e envolvida em mil compromissos. Durante a quarentena, pensei: 'Por que não? Vou desenvolver esse projeto'. Para isso, montei uma pequena equipe formada pela Vanessa Ribeiro, uma amiga que já tinha trabalhado em outras empresas do setor, e contratei um estilista, o Leandro Benides. O prioritário é fazer algo que tenha sentido e um propósito maior. Na Ginger, quero unir moda, sustentabilidade e arte. A indústria fashion é uma das mais poluentes do mundo, mas também é a que mais emprega mulheres. Prezo pela escolha de tecidos que não façam mal ao ambiente, quero que a marca seja o mais sustentável possível em relação ao processo como um todo. Inicialmente, terei o e-commerce, depois, quem sabe, loja própria. A coleção de introdução é formada por moletons chiques e confortáveis, 100% algodão, que podem ser usados dentro de casa e, quando tudo isso terminar, na rua. Também tem detalhes como as etiquetas, que vêm com diversas sementes no interior. A ideia é que, ao rasgar as tags, as sementes sejam colocadas na terra e germinem. E 100% do lucro da primeira coleção será revertido para a ONG Gerando Falcões. É uma maneira de eu realizar um sonho e, ao mesmo tempo, retribuir."

Quarentena

"Sempre gostei de me planejar e criar metas. Depois da novela 'O sétimo guardião', decidi estudar. Aluguei um apê em Los Angeles e me inscrevi num curso de acting. Também queria aprimorar meu inglês. Voltei por causa da pandemia e, desde então, vivo altos e baixos. Tem dias em que acordo tranquila; em outros, mais 'deprê'. Não tem como a gente ficar bem diante de tantas mortes. A pandemia colocou luz em situações que já estavam erradas e em tudo que a gente precisava ressignificar. É complicado digerir o que está acontecendo. Mas acho injusto dizer isso porque sou consciente dos meus privilégios. Tenho uma casa confortável, acesso à saúde e à informação. Está sendo muito mais difícil para muita gente."