Ninguém gosta de perder, mas claro que as perdas existem e fazem parte da vida. Às vezes, a perda se transforma também em um verdadeiro "livramento" que nos traz aprendizado. Para se ter uma ideia, pessoas ou situações são capazes de 'nos sequestrar de nós mesmos', fazendo com que a gente perca a própria identidade. Isso é o que mostra o livro do padre Fabio de Melo 'Quem me roubou de mim?'. Essa expressão refere-se à privação que sofremos quando estabelecemos com alguém um vínculo que vai 'minando' nossa capacidade de ser quem somos, de pensar por nós mesmos, de tomar decisões e exercer nossa liberdade de escolha. Ou seja, somos literalmente sequestrados! Isso acontece na vida de cada um em vários aspectos: amizades, família, trabalho, etc
Vamos perdendo a capacidade de fazer e sonhar porque somos roubados de nós mesmos, em razão de algo, de alguém ou de determinadas situações. 'Nenhuma relação humana está privada de se transformar em roubo e perda de identidade, ainda que as pessoas nos pareçam bem-intencionadas', escreve padre Fábio. A violência silenciosa vem sorrateiramente através de um falso sorriso, uma falsa verdade, uma falsa sinceridade... O mínimo descuido faz a gente cair nessa armadilha. E quando você percebe já foi sequestrado por alguma situação ou pessoas. Aí, é hora de arregaçar as mangas e começar a reforma. Lembre-se: toda reforma é para melhorar e algumas coisas não são mais recuperadas. Elas devem ser substituídas.
A escritora Marla de Queiroz diz que devemos estar dispostos às reformas, mesmo que isso inclua marretadas e muitas marteladas... Eu, particularmente, já perdi muitas coisas na vida… Umas, graças a Deus, me livraram de ambientes e pessoas que me sequestravam, outras me fizeram adquirir mais sabedoria e discernimento. Através das perdas a gente aprende, por exemplo, o que e quem vale a pena manter em nossas vidas e começamos a ressignificar os nossos valores. Por isso, perdas são parte da vida e abrem espaço para uma sucessão de trocas e novos caminhos. Na maioria das vezes, achamos que perdemos, mas, na verdade, conquistamos uma vitória! É isso… A vida é um processo de histórias que deram certo, outras não, de frases sem pontos, de sonhos, de desilusão. Na verdade, a gente cai, levanta, tira o pó e corre de novo… Somos carne, ossos e humanidade.
A autora é jornalista, mestre em comunicação midiática pela Unesp Bauru