10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Pacote do Brasil na pandemia é destaque global

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O tamanho do estímulo fiscal brasileiro em resposta à pandemia é destaque quando comparado ao de outros países. O mesmo, porém, não se pode dizer sobre a velocidade e a qualidade na implantação das medidas.

O pacote do Brasil corresponde a 11,8% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo o ranking organizado por acadêmicos das universidades Columbia (EUA), Sungkyunkwan (Coreia do Sul) e Eskisehir Osmangazi (Turquia), a partir de dados do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Pelo levantamento, trata-se de proporção superior à vista em países emergentes, como Índia (9,7%), África do Sul (8%), Rússia (3,4%) e China (4,1%). Também é muito acima da média dos países da América Latina, de 3,3%, e DE economias próximas como Argentina (5%) e México (1,2%).

Supera, ainda, alguns países desenvolvidos. O Brasil fica à frente, por exemplo, dos europeus Itália (10,8%) e França (10,4%). No ranking geral, com 168 nações, o Brasil está em 24º.

O percentual abrange medidas como o auxílio emergencial (equivalente a metade do pacote), recursos para saúde, transferências para estados e municípios e garantia de crédito em empréstimos para empresas (o Pronampe, por exemplo).

Desconsiderando esse último item, executado apenas em caso de não pagamento, as ações equivalem a cerca de 7,3% do PIB.

GASTO X DÍVIDA

O economista Bráulio Borges, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), faz um alerta do peso do estímulo brasileiro sobre o aumento da dívida pública, que deve subir por volta de 20 pontos percentuais, ritmo próximo das economias desenvolvidas.

Por outro lado, os indicadores de atividade têm surpreendido positivamente, sinalizando uma queda menor do PIB nacional neste ano em comparação com outros países da América Latina, como Chile e Peru. "Como estimulamos mais, ao que parece a queda da atividade será menor", afirma.

Nesse sentido, a política brasileira teve mais sucesso em mitigar os efeitos econômicos da crise do que o problema sanitário, análise que, para ser completa, ainda depende de sairmos da pandemia, marco ainda fora de vista.

Para isso, foi determinante a existência prévia de instrumentos de proteção social, como o Bolsa Família e o Cadastro Único, diz Pablo Acosta, do Banco Mundial.