Roma - O governo italiano anunciou, neste domingo (16), novas medidas para evitar um repique de contaminações pelo novo coronavírus no país.
O ministro da Saúde, Roberto Speranza, assinou um decreto que entrou em vigor na segunda-feira (17) tornando obrigatório o uso de máscara entre 18h e 6h em locais públicos próximos a bares e locais onde costumam haver aglomerações.
O decreto também suspende o funcionamento de boates ao ar livre ?casas de festa em espaços fechados não haviam sido autorizadas a retomar as atividades.
"Não podemos anular os sacrifícios feitos nos últimos meses", disse Speranza em mensagem no Facebook. "Nossa prioridade deve ser abrir escolas em setembro", completou.
SACRIFÍCIOS
A medida permanecerá em vigor ao menos até 7 de setembro e foi anunciada após várias divergências entre o governo federal e autoridades regionais sobre as restrições que deveriam ser aplicadas no setor de lazer noturno, que emprega quase 50 mil pessoas.
A indústria noturna no país gera receitas anuais de aproximadamente 4 bilhões de euros (R$ 25,5 bilhões) segundo o grupo de lobby do setor Silb.
Atendendo a pedidos de apoio, o governo havia aberto as boates apesar das críticas de que elas atrairiam grandes públicos e de que o distanciamento social e o uso de máscaras não seriam respeitados.
FERRAGOSTO
A nova decisão foi tomada durante o chamado "Ferragosto", fim de semana em que tradicionalmente há muitas festas no país.
A imprensa publicou nos últimos dias imagens de vários grupos de jovens dançando em discotecas ao ar livre, ignorando as advertências das autoridades de saúde.
É a primeira vez que a Itália, o primeiro país duramente atingido pela doença na Europa, endurece medidas de restrição, após a reabertura.
O decreto vem no momento em que os números de novos casos de Covid-19 voltaram a subir no país, especialmente entre os jovens.
Na última semana, o número de novas contaminações dobrou em relação aos registrado três semanas antes. A idade média dos infectados caiu para abaixo de 40.
A Itália registra 253.915 contágios e mais de 35.396 mortes por Covid-19, de acordo com levantamento da Universidade Johns Hopkins.