09 de julho de 2026
Articulistas

O que será da Educação brasileira?

Valmor Bolan
| Tempo de leitura: 2 min

A Educação está ainda em suspense no atual governo. Não se acertou, até o momento a escolha de um ministro capaz de enfrentar os complexos desafios da atualidade. Duas escolhas em um ano e meio e a impressão que se tem é de que se perdeu tempo. O Fundeb, por exemplo, tem validade até dezembro desse ano. Depois da saída de Abraham Weintraub, dois nomes já foram defenestrados. O primeiro, Carlos Alberto Decotelli, sofreu um desgaste enorme depois que ficou confirmado de que havia mentido em seu currículo. Algo impensável. Não apenas teve questionado o seu doutorado e pós-doutorado, como também teve a acusação de plágio na tese de mestrado, ficando insustentável a sua posição. Em seguida, foi cotado o secretário da Educação Renato Feder, que foi imediatamente atacado pela base evangélica e olavista, declinando ele do convite que já havia sido feito pelo presidente.

Precisamos entender o quanto é importante esse Ministério, não apenas por ser um dos maiores orçamentos, mas porque o futuro do País passa pelas mãos do novo ministro Milton Ribeiro, com uma proposta de trabalho que propicie as melhorias que precisamos. Daí a dificuldade que o presidente teve para escolher alguém que não sofra pressão interna (dos olavistas, dos militares, dos evangélicos) e que tenha capacidade de dialogar com o Congresso Nacional, na formulação de políticas públicas e nos encaminhamentos que se fazem necessários, sobretudo em cooperação com os secretários de Educação dos Estados e Municípios. Se vai funcionar ou não o novo ministro, sem experiência nesse nível de gestão pública, vai depender da equipe que irá escolher. Se escolheu técnicos competentes e experientes, o Brasil ganhará. Se escolheu ideólogos e 'pregadores' de doutrinas inspiradas em Olavo de Carvalho, o Brasil pagará caro. Há muitos desafios, a começar por dotar o País de uma infraestrutura adequada para a realidade que se impõe, no século 21, aonde as ferramentas digitais serão cada vez mais utilizadas no processo ensino-aprendizagem. Aliar, portanto, uma visão plural da realidade cultural com tecnologias de ponta será um dos grandes desafios.

Esperamos que a gestão seja menos ideologizada e mais dialogal e técnica, para que possamos encontrar os melhores meios para alavancar iniciativas promissoras. A educação brasileira precisa alcançar uma melhor posição no PISA, formar e remunerar melhor nossos professores, investir na educação básica, garantir que todos tenham acesso a uma educação de qualidade. Esperamos que as escolhas tenham sido acertadas!

O autor é doutor em Sociologia