Brasília - Apesar de um pedido de preferência e da preocupação com a prescrição de processos, o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) adiou, mais uma vez, a análise de um processo contra o procurador Deltan Dallagnol e outros integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba apresentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O adiamento ocorre um dia após o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspender outros dois processos contra Deltan no conselho. A análise do caso do PowerPoint está prevista para a sessão da próxima terça-feira (25).
ACUSAÇÃO
A defesa de Lula acusa Deltan e colegas de abuso de poder. Em 2016, a força-tarefa em Curitiba convocou entrevista coletiva para detalhar denúncia enviada à Justiça contra o petista e usou uma apresentação de PowerPoint para mostrá-lo como o chefe de um organização criminosa e no centro de várias ilícitos na Petrobras.
Lula recorreu ao conselho naquele mesmo ano. O caso já havia sido indicado para julgamento em outros ocasiões, mas foi retirado de pauta.
O caso da Lava Jato, porém, integrou o conjunto de casos de menor prioridade no dia. Como alguns integrantes do conselho avisaram que precisariam retornar a seus estados no início da noite, a sessão foi encerrada pouco depois das 18h sem chegar ao pedido de providências de Lula.
O CNMP é um órgão de controle externo do Ministério Público e de seus integrantes. Entre suas atribuições está a fiscalização disciplinar.
É composto por 14 conselheiros, entre integrantes do Ministério Público, juízes, advogados e dois cidadãos de notável saber jurídico, um indicado pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado. Quem o preside é o procurador-geral da República.
O atual procurador-geral, Augusto Aras, não participou da sessão desta terça. Coube ao vice-procurador-geral, Humberto Jacques, a missão de presidir os trabalhos.
OUTRAS DUAS VITÓRIAS
Deltan já havia conseguido duas vitórias nesta segunda-feira (17).
O ministro Celso de Mello suspendeu a tramitação de dois procedimentos no CNMP, instaurados a partir de representações de dois senadores, até que seja julgado o mérito de recursos apresentados ao tribunal nos quais a defesa de Deltan apontou irregularidades quanto a prazos processuais e cerceamento de defesa.