Após 140 dias enclausurado, vemos um país que perdeu as ilusões em si mesmo após 100 mil mortos, na mais absoluta indiferença das pessoas que estão cansadas, mas um cansaço prático e cômodo, pois não existe uma luta de solidariedade, uma luta única, vivemos na base do salve-se quem puder.
O governo abriu mão de proteger a sua população, a sua saúde, a sua educação, o seu trabalhador que não sabe para onde caminhar, já que perdeu todos os seus direitos e não sabe o que acontecerá quando o auxílio emergencial diminuir ou ser agregado a uma outra política econômica que ninguém sabe até agora como será.
E a Covid-19? Covid não tem religião. Covid não tem empatia. Covid não gosta de futebol. Covid não gosta de festas, amontoado de pessoas, ela é anti-social. Covid, quando começou, preferiu os ricos que podiam defender-se com outros mecanismos ou outros patamares, depois veio para a classe média, ficou mais ou menos, porque é sempre assim. O Covid pegou com gosto os pobres, pretos, pardos, humildes, favelas, palafitas, mangues. A Covid é democrática, atinge a todos, de preferência os 'ppp', que não têm para onde sair e nem para onde correr. Covid não respeita isolamento, Covid não respeita a idade, não respeita os idosos, aliás, nem o presidente respeita.
A Covid é ateia, ela não respeita nada, para ela não tem evangélico, católico, espírita, islâmico, umbandista, testemunha de Jeova, Mórmom... A Covid é uma imoral.
A Covid e um escárnio.
O presidente representa o novo, o inusitado, representa a desunião...
O autor é professor de História e diretor de teatro em Bauru