08 de julho de 2026
Regional

Equipe avalia danos da chuva na Lageado


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Botucatu - Por meio de parceria entre a Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos (Abendi), pesquisadores e representantes de empresas estão fazendo um levantamento das condições da área histórica da Fazenda Experimental Lageado, em Botucatu (100 quilômetros de Bauru). O objetivo do esforço conjunto é compor diagnóstico completo do local, incluindo terreiros de café, tulha, o casarão que abriga Museu do Café e demais edificações, visando à elaboração de projetos de recuperação.

A área histórica da Fazenda Lageado, tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), foi um dos pontos comprometidos pelas fortes chuvas que castigaram Botucatu em fevereiro deste ano. As dificuldades financeiras enfrentadas pela Unesp e a grave crise econômica pela qual o país vem passando têm dificultado a recuperação do espaço, que segue fechado à visitação pública.

"Não podemos correr o risco de perdermos alguma parte desse patrimônio", diz o professor Carlos Frederico Wilcken, diretor da FCA. "Temos buscado recursos por meio de projetos e solicitações de colaborações. E uma das iniciativas se dá agora graças aos contatos com o arquiteto botucatuense Guilherme Michelin, docente da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que mobilizou especialistas e empresas para esse levantamento".

O arquiteto participou da criação e é o atual coordenador da Comissão Técnica do Patrimônio Cultural da Abendi, que reúne pesquisadores vinculados a diversas universidades brasileiras que estudam a relação de métodos de ensaios não destrutivos (técnicas usadas para avaliar um sistema, sem destruí-lo, como ondas eletromagnéticas, acústicas, ultrassom e radiografia) para desenvolver ações de diagnóstico e intervenção no patrimônio cultural edificado.

PIONEIRA

A Fazenda Lageado foi escolhida como o primeiro estudo de caso da Comissão. "Aqui o patrimônio é riquíssimo", afirma Michelin. "Temos trabalho a ser feito com edificações, com documentação e com os chamados bens integrados, ou seja, os que não fazem parte da estrutura de uma construção, mas que são diretamente vinculados a ela, integrando um determinado conjunto, como obras de arte, bens móveis. Queremos entender a situação atual de tudo isso e, com esses dados, fazer um diagnóstico coerente e, a partir dele, oferecer soluções pontuais, com o menor custo, da melhor forma, no menos tempo possível".

Nos dias 12 e 13 de agosto, equipe de uma empresa de tecnologia realizou um escaneamento a laser em 3D na área histórica com um equipamento de última geração. Antes, como parte do trabalho de diagnóstico, o local recebeu a visita de um geólogo da USP de São Carlos, que coletou informações com um drone para serem analisadas e cruzadas com as levantadas pelo scanner 3D. No início de setembro, outra empresa parceira deve realizar mais testes na área.