10 de julho de 2026
Articulistas

O homem é o exercício que faz

Matheus Terra
| Tempo de leitura: 2 min

A que caminhos pode o homem trilhar para provar a si mesmo a suma essência do nobre e belo desejo de pertencer a si mesmo? Um compositor baiano dizia numa de suas músicas - que eram quase todas inteiramente carregadas com os ensinamentos de Thelema - que "O homem é o exercício que faz".

Extremamente justo, nada mais digno ser-nos atribuído ao caráter exatamente o espelho das ações que aqui executamos e que aqui, neste mundo e neste tempo, nos são concedidas como nosso único meio de existência: o exercício que fazemos, ou seja, o trabalho. Não o remunerado, tampouco o escravo, mas o trabalho pertencente ao mundo das ações e das realizações, dos feitos e dos méritos.

Um nobre sonhador latino-americano, por ventura cearense e a quem devo muito pelas orientações que a mim foram transmitidas através de suas músicas, concordava de certa forma com o primeiro. Não é por meio dos sonhos que vive o homem, nem são estes que o mantém com os pés firmes no chão, mas sim a experiência do ser com o mundo que o rodeia e sobre o qual são pertencentes um do outro, numa relação recíproca de ação e reação, no qual nenhuma ação, explícita ou oculta, foge as justas e dignas consequências das rígidas leis universais.

Se o leitor não deixar escapar nenhuma palavra que passa pelo seus olhos, já deve saber quem são os grandiosos artistas ao qual me refiro e ao qual este texto lhes é atribuído. Nos trechos de Belchior, "deve-se tomar cuidado, meu bem, pois há perigo na esquina", enquanto a linha de raciocínio 'RaulSeixista' toma um rumo muito mais ousado: "atrás da curva do perigo existe alguma coisa bem mais nova e menos triste".

Que o Nordeste brasileiro é a região natal dos maiores realizadores, disso não há dúvidas, porém, deve-se, antes de tudo, retirar de toda a arte que ambos conceberam diretamente para o mundo o grande ensinamento de que foram capazes de ejacular para toda a sociedade, e que perpassará por épocas e épocas sem perder uma gota sequer de prestígio e significância social.

 O autor é pederneirense e estudante de Jornalismo pela Unesp - Bauru