Na época da ditadura, ouvi uma história que tento reproduzir aqui: Um rebanho de carneiros, cansado de ser atacado por lobos, resolveu procurar alguém que os protegesse. Procuraram então um bando de leões e fizeram um acordo de proteção, em troca de os deixarem caçar em suas terras, desde que não comessem nenhum cordeiro. De início tudo correu bem, mas com o tempo, começaram a desaparecer alguns carneiros. Indignados, os cordeiros, procuraram pelos leões... Mas, que surpresa! Na caverna desses, encontraram várias ossadas de carneiros...
Tentaram argumentar com os leões, mas esses, urrando, puseram os carneiros para correr... Moral da História: Não há argumentos que prevaleçam frente à voracidade dos leões.
Lembro que bem recentemente todos falavam e se escandalizavam com o tríplex do Lula no Guarujá... com o Sítio em Atibaia "emprestado" pelo amigo Fernando Bittar....
Inconformados com a roubalheira da "esquerda", os carneiros elegeram um bando de leões para protegê-los... E hoje ninguém se espanta com o patrimônio dos leões, com os depósitos fantasmas, com o superfaturamento de seus "empreendimentos" ou com o fato do amigo Queiróz pagar com dinheiro vivo muitas e vultosas contas da família...
Antes a esquerda gritava: É golpe!... Atualmente a direita grita: É intriga da imprensa! É perseguição política! É culpa do STF!
A única diferença é que, antes, os carneiros se espantavam com os lobos em pele de cordeiro... achavam a corrupção algo absurdo... protestavam e tinham a Lava Jato em atividade...
Hoje, entretanto, os carneiros estão mudos... A Lava Jato está sendo sepultada para livrar os leões da jaula e os maiores absurdos parecem normais...
Quando alguém ousa levantar a voz, corre o risco de ser investigado clandestinamente em dossiês secretos e perigosos... E assim, fica em nós, pobres carneiros, o receio de confrontar as feras, porque, atualmente, os leões passeiam livremente...
E, pior: ainda há cordeiros que apoiam a carnificina e sonham com um golpe mortal que aniquile não só com os carneiros que berram, mas que cale - definitivamente - a nossa frágil democracia brasileira.