09 de julho de 2026
Nacional

Investigações inconclusivas


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"É esperada uma carga viral mais alta nos primeiros dias dos sintomas [de Covid]. Já os pacientes mais graves são internados cerca de sete dias após o início das manifestações, geralmente depois do pico de detecção do vírus no corpo", afirma Luciana Becker Mau, infectologista pediátrica no Hospital Sírio-Libanês, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus. "Ainda não está provado que quem tem a carga viral mais alta tem a doença mais grave ou transmite mais o vírus. Os autores do artigo falam que as crianças podem transmitir mais o vírus, mas não fazem esse teste", diz a médica. "A relação entre carga viral mais alta e maior transmissão ainda é incerta, e esse estudo não tem o poder de responder isso. Ele não investigou a transmissão", afirma também o infectologista pediátrico Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Para Sáfadi, há outros fatores que determinam o potencial de transmissão além da carga viral. Ele destaca que, como a maioria das crianças é assintomática, a disseminação de partículas virais através de tosse, espirro ou vômito também é menor. Segundo o médico, a maior parte dos estudos é consistente em demonstrar, conjuntamente, que as crianças se infectam menos e, quando desenvolvem a doença, apresentam sintomas mais leves. Já o estudo americano não tem uma amostra aleatória, mas demonstra um viés ao selecionar apenas jovens que procuraram o hospital, um grupo mais suscetível a carregar uma carga viral mais alta. O artigo dos pesquisadores de Harvard também demonstra que o receptor ECA2, ao qual o coronavírus se liga para infectar células humanas, é menos presente em crianças menores. Para os especialistas, esse resultado também já era esperado e havia sido demonstrado por investigações anteriores. Um artigo publicado ainda em maio por cientistas de instituições americanas no Journal of the American Medical Association demonstrou que o ECA2 é menos comum nos mais jovens e fica mais numeroso conforme a idade aumenta. A hipótese dos cientistas, ainda não completamente comprovada, é de que uma menor quantidade desse receptor seja responsável por menos infecções e menos casos graves entre as crianças.