08 de julho de 2026
Cultura

O riso atrás das máscaras

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Como bons improvisadores, a galera da comédia stand-up que trabalha em Bauru e região teve de contornar a situação quando viu o riso perder a força e se esconder atrás de máscaras, neste tempo de pandemia. Canais de YouTube, livros, projetos online foram algumas das alternativas encontradas para manter a audiência e não perder o "timing" da piada.

O ator e humorista Caio Morelli, 28 anos, trabalha no ramo desde 2011, quando participava do grupo Tripa-Tretas com os humoristas Marcus Cirillo, Estevan Gimenez e Rafael Palone, em shows em barzinhos e teatro. Já em carreira solo, ele conta que não só ele, mas demais comediantes sofreram grande impacto com as consequências da pandemia.

"Entre março e abril, tivemos mais de 20 shows cancelados, alguns deles onde já tínhamos investido financeiramente. Muitos bares em que trabalhamos também fecharam as portas, assim como Comedy Clubs", diz. "O que fizemos para recuperar um pouco do prejuízo foi tentar aproveitar o momento que todos estão em casa para investir no conteúdo virtual, fazer lives, gravar vídeos e alimentar nosso público e conseguir algum retorno financeiro", completa.

Assim, ele seguiu com seu canal no YouTube e com a venda do livro "Cartas para o mundo", lançado em 2016. "Mas minha maior renda sempre veio das shows de comédia stand-up. Desde a produção do evento, até ser o próprio comediante", salienta.

DRIVE-IN

Recentemente, Caio e outros humoristas passaram a produzir shows no formato drive-in, em que o público permanece dentro de seus carros, em uma distância segura dos outros, e sintonizam o rádio em uma frequência onde possam escutar os comediantes.

Este modelo também foi adotado pelo comediante Márcio Kalai, 22 anos, que vive de seus shows de humor, há três anos, além de produzir vídeos e conteúdos para internet. "Para o comediante muda muito esse formato. O mais próximo da resposta do público são as buzinas. Foi bom voltar ao palco, mas é diferente. Não é impossível de se fazer, a gente teve que se reinventar. Mas nós gostamos mesmo é da pancada de risada que vem de uma só vez", afirma Kalai.

Para ele, mais do que financeiramente, o impacto também foi psicológico. "Eu tenho ansiedade e isso me ajudou psicologicamente. Sinto que a minha terapia é a comédia. Quando estou no palco, eu esqueço tudo, e tem sido muito difícil ficar sem isso", diz.

RETORNO

Junior Grigoleti, 27 anos, conta que a pandemia impactou 100% de sua receita. "Estávamos fazendo shows em Bauru e região e vivendo da comédia. Tive que procurar outras fontes de rendas, basicamente, com serviços online", diz.

Aos poucos, o holofote volta a se acender para esses humoristas com a flexibilização recente para bares que estão voltando com capacidade reduzida, metade da casa. Junior acredita que, nos próximos meses, os eventos venham retornando.

"Conforme mais gente no show, mais divertido o riso é. Então, estamos estudando como poderemos fazer este retorno de forma eficaz e segura", finaliza.