09 de julho de 2026
Política

TCE intima a Câmara para acertar falhas

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 2 min

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) fez apontamentos seguidos nos últimos anos para a Câmara Municipal de Bauru sobre o pagamento irregular de gratificações a servidores, necessidade de redução de horas extras e obrigatoriedade de curso superior para ocupantes de cargos em comissão, além de concurso para alguns cargos.

O presidente José Roberto Segalla (DEM), em conjunto com a Mesa Diretora, apresentou projetos de lei para tentar reverter pendências. Parte das propostas esbarra em pedidos de informação nas comissões e até pressão de funcionários junto a vereadores.

TV CÂMARA

Um dos apontamentos é sobre a irregularidade no pagamento de gratificação de 15% do salário a servidores da TV Câmara, para que estes produzam conteúdo para a Rádio Câmara.

O benefício foi criado em 2015, quando a emissora de rádio foi implantada, com a justificativa de que seria mais barato pagar um adicional aos funcionários do que contratar novos servidores. No entanto, o TCE tem entendimento diferente e considera que a gratificação é irregular, pois o serviço é desenvolvido dentro do horário de trabalho e para a mesma finalidade, que é a comunicação das atividades da Casa de Leis.

Os apontamentos são feitos há três anos, sendo que apenas em 2019 a Câmara desembolsou R$ 100 mil para pagar a gratificação a nove servidores - uma média anual de R$ 12 mil por funcionário, ou seja, R$ 1 mil por mês para cada.

Projeto de lei apresentado em junho pela Mesa Diretora revoga a gratificação e alerta para o risco de devolução retroativa. A proposta está na Comissão de Justiça. O relator Natalino da Silva (PV) pediu prazo. O JC apurou que oito funcionários constituíram advogado e entraram com pedido no processo do TCE, o que foi rejeitado. Agora, eles devem levar o caso para a Justiça, pois entendem ter o direito ao adicional.

GRATIFICAÇÃO EM SESSÕES

Outro apontamento reiterado do TCE é sobre o pagamento de gratificações a servidores em sessões plenárias, que custou R$ 121,2 mil em 2018. O TCE cita que há duas legislações distintas. Uma é de 2005, criada pela Câmara, e outra é o Regime Jurídico do Serviço Público Municipal, de 1991. Um projeto de lei em tramitação acaba com a lei criada pela Casa, para que todos recebam conforme o Regime Jurídico do Serviço Público.

Também deve dar entrada projeto de lei que acaba com o pagamento de gratificação para os servidores que já incorporaram vantagem por função. "Tudo o que estamos propondo é para atender determinações do TCE, pois já estão resultando em rejeições de contas", diz Segalla. Há ainda determinação de redução do pagamento de horas extras, o que vem sendo cumprido após a mudança no horário das sessões e realização de audiências públicas diurnas.