Um dos principais pedidos dos gestores sempre foi que a população procurasse as unidades de urgência e emergência do município apenas em casos graves e de real necessidade. Por conta da pandemia da Covid-19, essa postura tem sido, enfim, colocada em prática pelos usuários. A constatação é do diretor do Departamento de Urgência, Emergência e UPAs, Paulo Pepulim Bastos.
O médico aponta que, mesmo com a maior circulação de pessoas nas últimas semanas, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Pronto-Socorro Central (PSC) continuam com 30% menos atendimentos em pleno inverno, período do ano em que há picos na demanda. "Notamos que os pacientes estão mais conscientes sobre como funciona e para que serve uma unidade de emergência. Por exemplo, a pessoa que está com uma bolha no pé e que precisa de atendimento, mas não corre riscos, não está mais indo na UPA. Ela tem procurado o posto de saúde", observa Pepulim.
No mês passado, a rede de urgência registrou o atendimento de 38.211 pacientes. Este é o total contabilizado nas quatro UPAs (Vila Ipiranga, Bela Vista, Núcleo Geisel e Mary Dota), no PSC, no Posto de Atendimento à Covid-19 (PAC) e no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
"Hoje, a queda é de 30%, mas, no início da pandemia, a redução chegou a 60%", compara Pepulim.
RECOMENDAÇÃO
O uso da rede de urgência e emergência apenas para casos mais graves é uma recomendação antiga das autoridades de Saúde do município. A discussão é trazida à tona todos os anos, especialmente no inverno, quando aumentam as filas em razão da maior propagação de doenças respiratórias.
Com a pandemia, mais alertas sobre o uso das UPAs e PSC têm sido realizados. Não só a conscientização, mas também o medo e o receio têm feito com que a população frequente menos esses locais, que também são porta de entrada para pacientes da Covid-19.
MENOS QUEIXAS
A queda dos atendimentos refletiu também na redução das queixas pela população. Antes da pandemia, a média era de até 70 registros diários sobre a urgência e emergência. No mês passado, o número caiu para 26.
Pepulim explica que pacientes sem gravidade ou riscos não têm prioridade no atendimento dessas unidades. E a demora, geralmente, provoca reclamação. "As queixas incluem também aquele paciente que não conseguiu a medicação que queria, ou que não fez tal exame, ou que a cadeira é baixa, ou que o Samu demorou a atender, ou que o atendimento foi ruim".
Com as reduções, ele conta que as equipes estão, inclusive, menos estressadas. "Na pandemia, a relação médico-paciente e equipe-paciente melhoraram de forma excepcional, porque as pessoas que estão procurando a rede de emergência são as que realmente precisam. Então, a atenção tem sido maior", finaliza o diretor Paulo Pepulim.