07 de julho de 2026
Saúde

Coma menos e viva mais

Mariana Coutinho
| Tempo de leitura: 2 min

Uma dose de exercícios físicos, frutas e verduras na medida certa, uma pitada de genética, boas horas de sono e porções generosas de controle de estresse. A receita da longevidade é como as que nossas avós recitam de memória: os ingredientes são sempre os mesmos, mas as quantidades, imprecisas.

Características hereditárias podem ter papel maior ou menor na mistura. Os hábitos, no entanto, contam demais. A alimentação é o principal deles: estudos indicam que, além da qualidade dos nutrientes ingeridos, a quantidade pode ser um fator decisivo na busca pela longevidade. Para explicar porque comer menos conta tanto para viver mais, a nutricionista Thais Araujo propõe um paralelo: "É só pensar no corpo como uma máquina. Quanto mais usamos, menor é sua vida útil". Comer em exagero seria um uso intenso, portanto.

Ela acredita que o jejum intermitente - estratégia de emagrecimento que se tornou queridinha nos consultórios e limita a ingestão de alimentos por 12, 16 ou até 24 horas - pode ser uma boa estratégia para diminuir o consumo calórico diário. "Uma longa pausa na alimentação, incluindo o período de sono, é benéfica para o corpo e pode ser uma forma de restringir calorias", avalia. "Mas é claro que não adianta ficar 12 horas sem comer e fazer um lanche de fast food depois. A qualidade das calorias interessa muito." O jejum pode ser recomendado quando se encaixar na rotina de quem o pratica e é contraindicado para grávidas, adolescentes e diabéticos.

A analista de mídias sociais, Tatiana Guedes, 45 anos, é adepta há dois: "Comecei para emagrecer. No início, tinha dor de cabeça e mau humor, mas fui me acostumando". Ela conseguia ficar até 16 horas sem alimentação antes da pandemia. "Depois dos 40, vi o metabolismo desacelerar. Agora, sinto que desinchei."

A explicação para a relação entre calorias e tempo de vida está no nosso DNA. Há uma estrutura que denuncia o "desgaste" do corpo, o chamado telômero."São as extremidades do cromossomo, que têm a função de proteger o DNA. Eles diminuem de comprimento ao longo do tempo e isso está associado à expectativa de vida", explica a geneticista Lia Kubelka. Hábitos ruins, como sedentarismo, consumo abusivo de álcool, tabagismo e alimentação desequilibrada, aceleram a degradação dos telômeros.

Nos idos de 1934, o pesquisador da Universidade de Cornell, Clive McCay já havia mostrado, em um estudo com ratos, que uma diminuição de 30% no consumo de calorias diárias depois da puberdade não só dobrava o tempo de vida dos roedores, como reduzia o desenvolvimento de doenças como cardiopatias, Alzheimer e Parkinson.