09 de julho de 2026
Geral

Tibiriçá tem onda de furtos e até uso de apito é cogitado como alerta

Marcele Tonelli Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Com cerca 3 mil habitantes, o distrito de Tibiriçá, conhecido como lugarejo de calmaria, tem vivido dias de tensão. Moradores relatam que o local enfrenta uma onda de pequenos furtos e invasões em casas há aproximadamente um mês e meio. A situação gerou uma reunião organizada pela própria população na praça do coreto, na noite da última quinta-feira (27), onde o problema foi discutido e ideias sugeridas para a melhoria da segurança. Entre elas, até o uso de um apito por moradores como forma de alerta para furtos e invasões foi cogitado.

"O apito não é só para futebol, pode ser usado também como forma de pedido de socorro", defende a subprefeita do distrito, Dulcinéia Cosmo Baté. "A maioria da população é idosa e está todo mundo assustado. Então, estamos buscando uma solução através da união, da paz e do amor, que são as marcas de Tibiriçá", acrescenta.

Porta-voz dos moradores, Rosângela Baté, que é irmã da subprefeita, dá nome à ação: Vizinhança Solidária do Apito. Uma iniciativa, segundo ela, inspirada em projeto aplicado em um bairro de Belo Horizonte. "É algo que já funciona, não tiramos no nada. A partir da meia-noite, se o morador escutar barulho de invasão, ele apita. Aí, os vizinhos também acordam e pedem ajuda para a polícia", explica Rosângela, detalhando que apitos já foram, inclusive, adquiridos, embora a implantação da medida esteja condicionada a uma votação popular prevista para esta segunda-feira (31).

RONDAS NOTURNAS

O encontro da última quinta contou com cerca de 150 pessoas. Além do apito, outras duas propostas foram aventadas. "A outra ideia é fazermos uma vaquinha para estabelecer rondas noturnas. Um morador também propôs usarmos um aplicativo que já existe para chamar a PM de forma mais rápida", comenta Rosângela.

Além das ações de iniciativa da própria população, os moradores cobram policiamento 24 horas no distrito e reativação da base policial que ficava na praça do coreto.

SEM REGISTRAR BO

Dulcinéia e Rosângela detalham que as invasões são de quintais e têm ocorrido na madrugada e de forma aleatória pelo distrito. "Temos policiamento, mas, na madrugada, é de vez em quando. A polícia de Bauru dá apoio. Antigamente dava mais certo, mas o distrito já não é mais tão tranquilo", comenta Rosângela. 

E, na maioria das vezes, os moradores não registram a ocorrência, o que agrava o problema e dificulta ações da PM. "Temos apenas dois boletins de ocorrência (BOs), mas vários relatos do mesmo problema. Daria para registrar BO pela Internet, mas o pessoal não faz. Tem muita gente idosa e que tem medo", frisa Dulcinéia. "Há alguns dias, duas casas foram furtadas em uma mesma noite", reforça a irmã da subprefeita.

AJUDA

Há relatos até de um policial, que atua e mora em Tibiriçá há aproximadamente três anos e que teria virado, nas palavras da população, uma espécie de "xerife" no local. Em decorrência da falta de policiamento 24 horas, ele teria ajudado moradores mesmo fora do expediente e em casa.

Recentemente, a transferência deste policial militar foi aventada e um grupo de moradores realizou até um abaixo-assinado para evitar a saída.

"Tem morador que já cogitou até se armar, mas estamos fazendo de tudo para que isso não aconteça, porque violência só gera violência", finaliza Rosângela Baté.