08 de julho de 2026
Viver Bem

Para toda obra

Talita Duvanel
| Tempo de leitura: 2 min

Em 2010, uma pesquisa da Universidade de Cleveland, EUA, sobre as propriedades medicinais da camomila afirmava que mais de um milhão de xícaras de chá dessa erva eram consumidas no mundo diariamente, fazendo dela uma das mais populares. Dez anos depois, num cenário de pandemia, dá para apostar que esse número deve ser ainda maior, a julgar pelos dados divulgados no último relatório de bem-estar e beleza feito pelo Google em parceria com o instituto de previsão de tendências WGSN. Só no Brasil, as buscas pelo termo "camomila" aumentaram 122% se compararmos maio de 2020 com o mesmo período do ano anterior.

Isso porque a planta originária da Europa e do Norte da África, cujo uso estima-se datar de cinco mil anos, atua em diversas frentes, diz a bióloga e dermatologista Grace Marzano, do Rio. "Ela tem ação antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória e ansiolítica, atuando do sistema digestivo até o nervoso. Existem muitas evidências clínicas", diz a especialista.

No uso dermatológico, a ação calmante na pele sensível costuma ser bastante explorada, não só pela indústria cosmética mas também em receitas caseiras. "Ela ajuda a aliviar desconfortos de brotoejas, assaduras, queimaduras de sol, urticárias e picadas de inseto", diz Grace, indicando a aplicação de óleo essencial ou compressas do chá no local irritado.

No aspecto digestivo, o chá é aliado na redução de estufamentos e cólicas, inclusive as menstruais. "A camomila relaxa a musculatura gastrointestinal e uterina, reduz a formação de gases e tem efeito anti-inflamatório das mucosas", explica a nutricionista e fitoterapeuta Fernanda Machado, do Rio. Para esse objetivo, a especialista recomenda tomar de 100ml a 150ml de chá entre 15 e 20 minutos após uma das refeições.

Para a ansiedade e insônia, algumas das reclamações mais frequentes dessa pandemia, a camomila é certeira. A presença de determinados flavonoides dá características ansiolíticas à planta, ajudando a regular o sono e os níveis de estresse. "Para esses casos, a melhor maneira é consumir a infusão antes de dormir", diz a nutricionista.

Apesar de natural, é preciso ter certos cuidados. O primeiro deles é evitar o consumo se estiver grávida. O segundo vale para todos: não tomar o mesmo chá diariamente. "O que é natural, se consumido em excesso, também pode ser tóxico. Então é sempre bom alternar as plantas para não criar resistência e irritação nas mucosas gástricas", aconselha Fernanda. O terceiro é tentar passar longe das versões em "saquinhos" e procurar pelas ervas puras, de procedência confiável.

É só aproveitar com parcimônia e relaxar.