A implantação do Hospital das Clínicas (HC) de Bauru em definitivo continua incerta. A unidade, que funciona no chamado predião da USP, como hospital de campanha durante a pandemia de coronavírus, ainda não tem previsão de prorrogação do contrato com a Famesp até o final do ano para esta finalidade, mas a Famesp informa que pediu que o acordo seja estendido até dezembro.
A consolidação do HC após a pandemia parece ser uma realidade ainda mais distante. Atualmente, Bauru conta com o Hospital de Base (HB) e o Hospital Estadual (HE) como referências para a maioria das especialidades, para uma demanda de 18 municípios em todas elas e para até 68 municípios em algumas especialidades, na área da Diretoria Regional de Saúde (DRS-6) do Estado.
Ontem, em audiência pública na Câmara Municipal, o Estado e a Prefeitura de Bauru foram cobrados a ampliar rapidamente a oferta de leitos no município, que, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, perdeu 42,7% das vagas em dez anos, sem considerar os leitos de UTI. Segundo o secretário Sergio Antonio, Eram 1.110 leitos em 2009, mas em 2019 o total caiu para 636 leitos. Ele disse ter levantado as informações com a Secretaria Estadual de Saúde. Os dados não foram rebatidos pela diretora da DRS-6 presente no encontro.
Entre os motivos para a redução estão o fechamento do Hospital Manoel de Abreu, que está em reforma, e a redução da capacidade do Hospital de Base (HB) após o fim turbulento da antiga Associação Hospitalar de Bauru (AHB), com a Famesp assumindo e revitalizando o espaço com apoio do Estado, diante da grande demanda de internações.
PRORROGAÇÃO
Após o começo da pandemia, o prédio do HC passou a funcionar como hospital da campanha para casos de coronavírus que não dependem de UTI, com leitos de enfermaria. São 40 vagas, mas o prédio inteiro tem capacidade para mais de 200 leitos. O presidente da Famesp, Antônio Rugolo Jr., disse que já solicitou a prorrogação do contrato com o Estado, que vence em 2 de outubro. O pedido é para uma prorrogação até dezembro. A entidade ainda não obteve retorno.
A diretora regional de Saúde do Estado, Doroti Alves, afirmou que em todo o Estado não houve determinação para o encerramento dos hospitais de campanha, tendo em vista o número de casos, e, portanto, a tendência é de prorrogação do contrato com a Famesp por mais três meses, ainda que isso não tenha sido formalmente informado.
Já o funcionamento do HC como um hospital definitivo após a pandemia, para atender a outras especialidades, segue completamente indefinido. Doroti lembrou que é necessária a assinatura do termo de compromisso entre o Estado e a USP, pois o imóvel é da universidade. O diretor da FOB-USP, Carlos Ferreira dos Santos, participou da reunião e disse que o assunto segue em tratativas entre a Secretaria de Saúde estadual e a USP. Sérgio Henrique Antonio avisou que terá uma reunião com o Estado na semana que vem para tentar dar mais velocidade nas negociações.