Rio de Janeiro - Por 25 votos a 22, a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro rejeitou nesta quinta-feira (3) a abertura de processo de impeachment contra o prefeito Marcello Crivella por improbidade administrativa no uso de funcionários da prefeitura para cerceamento da imprensa às portas de hospitais.
Dois pedidos de impeachment haviam sido protocolados na terça-feira (1º), um dia depois de reportagem da TV Globo revelar a existência dos chamados "Guardiões do Crivella", ocupantes de cargos de confiança escalados para atrapalhar a imprensa e impedir depoimento dos usuários da rede pública de saúde.
Pelo menos 20 funcionários da prefeitura -com pagamentos que variam de R$ 2,7 mil a R$ 18 mil brutos- são escalados para abordar jornalistas e entrevistados para interromper gravações.
Secretários municipais, colaboradores diretos de Crivella participariam de um dos grupos usados para controlar o "plantão" de funcionários na frente de hospitais da cidade para impedir divulgação de denúncias.
O plantão foi suspensa depois de sua revelação.
O trabalho desses funcionários era acompanhado em três grupos no WhatsApp: "Guardiões do Crivella", "Plantão" e "Assessoria Especial GBP" [Gabinete do Prefeito].
Os funcionários eram escalados também para constranger beneficiários das cestas básicas distribuídas durante a pandemia da Covid-19, impedindo críticas à qualidade dos produtos.
A Polícia Civil abriu inquérito e cumpriu nove mandados de busca e apreensão. O caso será investigado pelo Ministério Público.