09 de julho de 2026
Geral

Falta de protocolo dificulta acesso de pacientes para fisioterapia pós-Covid

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru conta com um Ambulatório Municipal de Fisioterapia (AMF) e, desde o início da pandemia, não recebeu sequer um único paciente para reabilitação pelas sequelas provocadas pela Covid-19. A informação foi passada pela Secretaria Municipal de Saúde, que acrescentou que a unidade está apta a prestar este tipo de atendimento.

Por meio de sua assessoria, a pasta informou, no entanto, que a vaga precisa ser solicitada via Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), gerida pela Secretaria de Estado da Saúde. Porém, ao que parece, o Hospital Estadual (HE), unidade de referência para internação dos casos mais graves na rede pública, não foi informado sobre a disponibilidade deste atendimento aos pacientes que recebem alta.

Isso porque, conforme a reportagem apurou, os médicos, no momento da alta, não têm feito a prescrição da fisioterapia com encaminhamento ao serviço municipal. "Disseram para eu procurar o serviço em algumas universidades que têm curso de fisioterapia em Bauru", conta o vendedor Tácito Pereira Alves, 39 anos, que foi diagnosticado com Covid-19 no início de abril e ficou sete dias intubado no HE.

Ao receber alta, ele estava 11 quilos mais magro e com dificuldade para andar e falar. "Era finalzinho de abril e todas as universidades estavam fechadas, então, não consegui fazer fisioterapia. Até hoje, tenho falta de ar quando tenho que falar muito e, como sou vendedor, isso ocorre sempre. Além disso, tenho muita dor na perna esquerda. Às vezes, a sensação é de que está pegando fogo".

O AMF, que fica no mesmo prédio do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), na quadra 26 da avenida Nações Unidas, não dispõe de atendimento de fisioterapia respiratória, somente motora, mas, até agora, não atendeu ninguém com problemas provocados pela Covid-19. Já a Secretaria de Estado da Saúde, por meio da assessoria de imprensa, informou que não oferece serviço de reabilitação pós-Covid em Bauru. O atendimento fisioterápico é assegurado pelo Estado somente durante o período de internação do paciente no HE.

ATENDIMENTO REDUZIDO

Após alguns dias de pesquisa, o JC descobriu que as Faculdades Integradas de Bauru (FIB) está realizando este tipo de atendimento para pacientes oriundos do HE, porém, como este é um tratamento relativamente longo, não consegue absorver toda a demanda vinda do hospital.

A professora Roberta Munhoz Manzano, coordenadora do serviço de reabilitação pós-Covid da FIB, explica que o atendimento foi iniciado em 18 de agosto e, até o momento, está atendendo os primeiros 10 pacientes que sofreram sequelas provocadas pelo novo coronavírus ou pelo longo período de internação.

"Cada paciente tem atendimento individualizado, por uma hora, duas vezes por semana. O número precisa ser reduzido para respeitar as regras de distanciamento social. E os mais graves poderão seguir em tratamento por dois, três meses. Seria impossível atender toda a demanda do HE", comenta, salientando que o atendimento é realizado por alunos do quarto ano do curso de Fisioterapia, em estágio supervisionado por ela.

De acordo com a professora, a FIB não mantém convênio com a prefeitura ou o Estado para promover a reabilitação de pacientes pós-Covid. O atendimento é prestado tanto para aqueles que receberam alta do HE quanto para os que fizeram tratamento em casa contra a doença, mas ficaram com algum tipo de sequela após o período de recuperação.