Eles até tentam encarar os problemas com bom humor, mas não é fácil ver os anos se passando e tendo que conviver com o abandono de 12 quadras de terra cercadas por outras ruas mais estruturadas. Esta área do Jardim Marambá, em Bauru, é o único local próximo da região central que é uma "ilha" de terra rodeada por asfalto. Promessas de melhoria, principalmente em período eleitoral, foram várias, afirmam os moradores. Este "miolo" esquecido no bairro, que compreende as ruas José Tolon, Pedro Bertolini, Tenente José Cintra Bonin e Pedro de Rosa, resulta em muita poeira em tempos de seca e deslizamento de barro em dias de chuva. Parte do local ainda é desprovido de postes de iluminação pública. Isso causa muita insegurança em moradores, sobretudo as mulheres, e ainda aglomera, vez ou outra, usuários de drogas nestes pontos sem luz.
Um ano depois da reportagem que abordou este mesmo tema, em 3 de setembro de 2019, o JC retornou ao local e percorreu novamente estes endereços, acompanhado pelos moradores. Nada mudou. Um deles, Osmair Crespi, representante comercial, 64 anos, que reside na rua José Tolon, bem onde o asfalto termina e começa a via de terra, recorda que no dia 26 de outubro de 2018 o prefeito Clodoaldo Gazzetta se reuniu com vários moradores destas ruas em sua garagem.
"Naquele dia ele garantiu que em seis meses o asfalto estaria pronto, inclusive citou que haveria verba para isso. Todos aqui são testemunhas. Ele não cumpriu. Oito meses depois, estivemos na prefeitura e ele nos garantiu que haveria deslocamento de verba, mas nada aconteceu. Em uma terceira oportunidade, nos encontramos com a Secretaria de Obras. Vários vereadores também já nos falaram que iriam atrás de soluções, mas as quadras estão abandonadas. E toda vez é uma desculpa diferente", comenta.
"O Rodrigo Agostinho tinha pleno conhecimento disso aqui. Já entregamos abaixo-assinado em vários momentos, mas o problema persiste. Nos dizem que é inviável, porque necessita de muito recurso para fazer galerias. Mas já se passaram décadas, 22 anos só do tempo que eu moro aqui. Ainda não deu tempo mesmo", critica.
O morador mais antigo daquela área, Daniel Pimentel, aposentado, 62 anos, cita que um vizinho construiu uma casa na rua Tenente José Cintra Bonin, mas não consegue fazer a calçada porque a via, em péssimas condições, impede. Daniel recorda que em uma bifurcação de ruas de terra no local possui uma área que seria uma praça. "Por anos disseram que esse terreno entre a Tolon e a Tenente Bonin é uma praça. Alguns dizem que tem até nome, não sei, mas também está esquecida", critica.
PREFEITURA
Em resposta ao JC, por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura responsabilizou a Câmara Municipal pela falta se solução do problema e projeta possível melhoria para a próxima gestão. Segundo a nota, "o Jardim Marambá era um dos bairros previstos no financiamento que a Prefeitura de Bauru solicitou a Câmara e não foi aprovado. Não existem recursos assegurados neste ano para o bairro por conta da pandemia, mas o mesmo está na lista de prioridades para 2021".
Em relação à falta de postes de iluminação, a Secretaria de Obras comunica que irá vistoriar o local.
LEGISLATIVO REBATE
A Câmara Municipal, por sua vez, repudia a informação prestada pela administração de que o asfalto no Jardim Marambá não foi executado por não ter sido aprovado pelos vereadores o Projeto de Lei em que o Poder Executivo pedia autorização para contratar financiamento de R$ 46,6 milhões.
O Projeto foi retirado pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta em 20 de março de 2020 - dia em que foi decretado o Estado de Emergência em decorrência da pandemia do novo coronavírus, diz a Câmara. Antes disso, aguardava informações solicitadas pela Comissão de Justiça desde 6 de fevereiro. A nota do Legislativo afirma ainda que não houve rejeição da proposta por parte dos vereadores.
"No dia 13 de novembro, o senhor prefeito encaminhou um Projeto Substitutivo alterando as condições da operação. Tal medida se deu após manifestação da Consultoria Administrativo-Financeira da Câmara Municipal, apontando lucro excessivo à instituição financeira (Banco do Brasil) nos termos propostos inicialmente. Com a mudança, o custo final da operação de crédito caiu para R$ 62,1 milhões - R$ 7,4 milhões a menos em comparação à proposta original. Ou seja, se o Projeto de Lei tivesse sido aprovado com a agilidade desejada pelo Poder Executivo, sem a cuidadosa análise por parte das comissões do Poder Legislativo, o Erário seria gravemente lesado", finaliza a nota.