Produtividade, disponibilidade e qualidade. A tríade compõe o conceito de Eficiência Global de Equipamentos (OEE), que representa de 3% a 7% do lucro líquido das indústrias. Em busca da excelência em tal quesito, a Polimáquinas, em Bauru, usa a inteligência artificial para fazer a manutenção preditiva dos seus aparelhos. Ao coletar os dados das máquinas, a empresa, que completou 45 anos no último sábado (5), consegue saber quando e quais peças precisam passar por reparo preventivo.
A Polimáquinas fabrica equipamentos para a confecção de todos os tipos de embalagens plásticas flexíveis, além de produzir impressoras de alto rendimento para as mesmas.
Diretor da instituição, Marcos Rodrigues de Mello explica que apresentou a ideia em uma feira e a vendeu para alguns clientes. Porém, boa parte deles ainda se mostra resistente. "O pessoal tem medo de abrir os dados, afinal, os aparelhos podem guardar um segredo industrial", reforça.
Logo, segundo Mello, um dos grandes desafios da empresa corresponde a ganhar a confiança da clientela, provando que as informações não serão usadas de forma indevida.
A manutenção preditiva, ainda de acordo com ele, está dentro do que se chama de Indústria 4.0, cujo futuro deverá girar em torno da gestão das máquinas por parte dos seus fornecedores com informações em tempo real.
Mello explica, também, que a Eficiência Global de Equipamentos está diretamente relacionada ao lucro líquido das empresas. "Se você consegue diminuir os custos, se torna mais competitivo, aumentando a participação junto ao mercado e, consequentemente, o ganho", complementa.
O gestor da Polimáquinas frisa que a Indústria 4.0 prevê a comunicação entre os aparelhos em tempo real, a inteligência artificial e a realidade aumentada.
Este último tópico permite que as empresas estabeleçam uma comunicação a distância com os equipamentos. "Digamos que o nosso técnico está em Bauru e um aparelho do Equador precisa passar por assistência. Usando o óculos de realidade aumentada, o especialista identifica a peça com problema e dá as orientações necessárias. Tudo em tempo real. Se necessário, claro, o profissional se desloca", exemplifica.
TRAJETÓRIA
Ao longo da sua trajetória, a Polimáquinas buscou aperfeiçoar a tecnologia tanto nos produtos quanto na sua fabricação propriamente dita. "Tanto que fomos a primeira indústria do Brasil a nos cadastrarmos junto ao BNDES para uma linha de financiamento voltada à Indústria 4.0", observa Mello.
Fundada por Guaracy Francisco Ingracia e Urias Carlos Mandelli, há 45 anos, a empresa ficava em um barracão de 200 metros quadrados localizado na Vila Falcão, em frente ao extinto Cine São Rafael.
Atualmente, a indústria ocupa um prédio de 10 mil metros quadrados situado no Distrito Industrial 1. O local conta, ainda, com 200 funcionários diretos e 30 indiretos, além de 900 fornecedores.
No início, uma única máquina produzia 80 sacolas por minuto. O equipamento exigia, pelo menos, dois operadores. Hoje, a produtividade subiu para 2 mil embalagens plásticas e um funcionário consegue cuidar de três aparelhos sozinho.
VISÃO DE NEGÓCIO
Sócio-proprietário da Polimáquinas, Gino Paulucci Júnior narra que Guaracy e Urias, há 45 anos, tiveram a visão de fabricar máquinas para a indústria do plástico, uma matéria-prima, até então, inovadora e pouco conhecida. "O produto é bastante questionado em termos ambientais, fato que consiste em um grande erro, afinal, o problema não está na utilização, mas na destinação do mesmo", argumenta.
Segundo Júnior, a evolução das embalagens deste material permitiu o surgimento dos supermercados. "Até então, havia apenas mercearias a granel, cujos sacos eram abertos e de papel", descreve.
Para ele, a pandemia escancarou a necessidade do plástico. "Existia uma campanha muito grande para usar sacolas retornáveis. Ficou comprovado que as embalagens deste tipo abrigavam coliformes fecais, que passavam de um alimento ao outro", finaliza.