10 de julho de 2026
Geral

Parentes e amigos se juntam no mesmo imóvel para economizar e enfrentar crise

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Filhos que abrem mão da trajetória solo e retornam à casa dos pais, assim como jovens que voltam a morar em república após a experiência do espaço próprio, integram um contexto cada vez mais comum também em Bauru. A quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus deixou bastante gente desempregada, que precisou encontrar alternativas de moradia.

Para muitos, a saída para enfrentar este período foi deixar o aluguel e morar com os parentes. Há, ainda, quem tenha optado por dividir despesas com os amigos até a fase melhorar.

Em Bauru, o contexto foi confirmado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), que percebeu certo movimento de pessoas interessadas em buscar saídas para economizar.

O técnico de segurança Maurício Risse, de 29 anos, por exemplo, vivia com a esposa em um apartamento com dois dormitórios desde janeiro de 2020. Em abril, depois que a sua companheira perdeu o emprego, o casal decidiu deixar o imóvel para morar na casa de um tio de Maurício, em Astorga, no Paraná. "Eu aceitei uma proposta de trabalho que cobre todas as nossas despesas", comenta.

Com a iniciativa, o casal abriu mão de parte da privacidade, mas conseguiu viabilizar a casa própria, que ainda está em obras (leia nesta página).

Subdelegado regional do Creci-SP, em Bauru, Carlos Alberto Damiati diz ter presenciado famílias inteiras saindo de casas alugadas, deixando os pertences em garagens e morando com os parentes mais próximos. "O desemprego não permitiu que bancassem o aluguel de um imóvel maior", explica.

GARAGENS

A nova realidade ainda gerou outro fenômeno: o aumento da procura pela locação de garagens. Segundo o Creci, muitas pessoas, pensando em economizar, quiseram alugar um espaço mais barato só para deixar os pertences. Assim, conseguem morar com os parentes ou colegas.

Damiati informa que a cidade sempre registrou elevada rotatividade envolvendo a locação de imóveis de até dois dormitórios, principalmente, por conta do público universitário.

No primeiro mês em que as aulas presenciais foram suspensas, a maioria dos estudantes de fora optou por permanecer em Bauru. "Depois, tão logo os alunos perceberam que a quarentena se estenderia ainda mais, eles resolveram retornar para a casa dos pais", complementa.

Por isso, a procura pela locação de garagens, onde os estudantes podem deixar os seus pertences enquanto as aulas não voltam, aumentou de lá para cá. Outros universitários, por sua vez, se reuniram em repúblicas, mas também resolveram armazenar a mudança em locais mais baratos. Em alguns casos, decidiram compartilhá-la com os colegas.

O cantor e compositor sertanejo Dan Corrêa, de 32 anos, possui uma garagem situada na rua Quinze de Novembro, na região central de Bauru. Em fevereiro deste ano, ele resolveu alugá-la. "Embora não tenha fechado qualquer contrato desde então, ao menos, 11 pessoas já demonstraram interesse pelo local", observa.