09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Uma história em duas palavras

Benedito José Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 1 min

A vida de um ser humano é por demais complexa para que possamos resumi-la em poucas palavras ou rotulá-la com adjetivos, muitas vezes usados de forma pejorativa. Apesar disso, pretendo falar de Roque Ferreira naquilo que conheci de sua personalidade. Sem querer limitá-lo no todo, se pudesse defini-lo em duas palavras, elas seriam: coragem e coerência. Coragem para enfrentar "caciques" partidários, coragem para defender sua ideologia, coragem para se posicionar sempre ao lado das minorias e dar a cara a tapa em qualquer circunstância, sem nunca revidar pelas costas, como fazem os covardes. De peito aberto, era comum vê-lo aos finais de semana no Calçadão da Batista levantando suas bandeiras, apesar dos risinhos sarcásticos dos ignorantes.

E se essa é uma característica que me faz admirá-lo. A segunda não é menos relevante. Em nossos poucos contatos, tivemos convergências e divergências de ideias, mas nunca o vi fugir ao debate ou deixar de defender aquilo em que acreditava. E apesar de sua oratória sempre enfática, nunca lhe faltaram a educação nas palavras e o respeito que devemos a todos que divergem de nós. Sem tomar as discussões como coisa pessoal, Roque via em seus opositores apenas adversários, não inimigos. E aí reside a coerência de quem luta pela democracia.

Creio que Roque Ferreira sintetizava e vivenciava a frase imortal de Ernesto Guevara de La Serna, o Che: "se você treme de indignação diante de alguma injustiça no mundo, então somos companheiros"... Fica aqui minha sincera homenagem e respeito... Ficam também minhas condolências à família. Que sua coerência sirva de modelo aos extremistas de direita que, desprovidos de cultura, insistem em regurgitar informações rasteiras amealhadas nas redes sociais... Obrigado, Roque. Viva a democracia viva!