Roque partiu, pegou um trem fora do combinado e seguiu, rumo ao infinito, em busca de outros mundos, a prosseguir na sua missão histórica de denunciar as mazelas do capitalismo e da necessidade da Revolução.
Foram quase quatro décadas de amizade, histórias em comum, algumas aventuras e muita luta, sempre na mesma trincheira, sempre ao lado da classe trabalhadora.
Maior liderança popular surgida em Bauru, trouxe sempre consigo a coragem, a dignidade e a coerência. Os dois mandatos que o povo de Bauru lhe outorgou jamais transformaram o companheiro em alguém arrogante ou que sucumbisse ao agrados da burguesia. Ao contrário, abriu a porta do seu gabinete e da Câmara Municipal aos anseios populares, contribuindo enormemente para muitas lutas.
Sem dúvida, Roque foi um daqueles imprescindíveis de que falava Brecht, em uma de suas poesias, figura única, insubstituível. A dor da sua partida faz-se forte e cruel, o desencanto com a realidade, que já era grande, se torna quase insuportável.
É como se, nas palavras de um amigo, perdêssemos nosso Comandante em meio a uma batalha. Ainda atordoados, olhamos perdido para o horizonte, sem rumo. Roque, nossa estrela fulgurante, integra a constelação dos grandes revolucionários que sempre nos guiará. E chegará o momento que enxugaremos nossas lágrimas, espantaremos a poeira e mesmo ainda alquebrados com a derrota que o destino nos impôs, voltaremos a levantar nosso punho cerrado, a gritar as nossas palavras de ordem e a honrar o exemplo de vida do companheiro Roque, colocando todas as nossas energias na construção de uma nova sociedade.
Companheiro Roque, presente!
Agora e sempre!