Berlim - O líder opositor russo Alexei Navalny, que de acordo com a Alemanha foi envenenado na Rússia, saiu do coma induzido e vai deixar de usar o respirador artificial "por etapas", anunciou nesta segunda-feira (7) o Hospital de la Charité em Berlim.
"Reage quando falam com ele", afirma um comunicado divulgado pelo hospital, onde Navalny, 44, é tratado desde 22 agosto.
De acordo com o governo alemão, Navalny foi "inequivocamente" envenenado na Rússia com um agente nervoso do tipo Novichok, uma substância desenvolvida na época soviética com fins militares.
O governo alemão e outros países ocidentais acusam as autoridades russas e pedem explicações.
A tensão aumentou no domingo, quando a Alemanha apresentou à Rússia um ultimato de alguns dias para "explicar o ocorrido". Nesta segunda, o Kremlin chamou de tentativas "absurdas" as acusações de que o governo russo teria envenenado Navalny.
"Todas as tentativas de associar a Rússia de alguma maneira com o que aconteceu são inaceitáveis para nós, são absurdas", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Moscou critica Berlim por "adiar o processo de investigação" ao não transmitir os documentos do caso às autoridades russas.
Peskov disse esperar que Berlim proporcione todas as informações necessárias à Rússia "nos próximos dias". "Estamos esperando com impaciência", completou.
MERKEL
A chanceler alemã Angela Merkel afirmou nesta segunda-feira que não descarta consequências para o projeto de gasoduto Nord Stream 2, que deve fornecer gás russo para Alemanha e Europa, se Moscou não apresentar as respostas esperadas sobre o envenenamento.
"A chanceler considera que seria um erro descartar a possibilidade a princípio", respondeu o porta-voz da chefe de Governo, Steffen Seibert, ao ser questionado se Merkel tentaria evitar que o projeto de gasoduto fosse afetado em caso de sanções contra a Rússia.
No domingo, o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, também disse que "seria um erro excluir a priori" consequências para o Nord Stream 2.
Maas deu a Moscou um prazo de alguns dias para "ajudar a explicar" o que aconteceu com Navalny.
"Caso contrário, teremos que discutir uma resposta com nossos sócios europeus", advertiu Maas. A Alemanha preside atualmente o Conselho da União Europeia.
Ele disse que em caso de sanções, estas devem ser "seletivas" e mencionou em particular o possível bloqueio do Nord Stream 2.