Hoje, 10 de setembro, é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data, que integra o Setembro Amarelo e é considerada o Dia D da ação, serve para um alerta ainda mais crucial neste ano: a saúde mental em tempos de pandemia.
De acordo com o portal oficial da campanha (http://www.setembroamarelo.com), cerca de 12 mil suicídios são registrados todos os anos no Brasil e mais de um milhão no mundo. E a grande maioria dos casos de suicídio, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), tem relação a transtornos mentais. Em primeiro lugar, está a depressão, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias.
"Se nós pensarmos que mais de 90% dos casos de suicídio, segundo a OMS, estão associados a distúrbios mentais e, portanto, podem ser evitados se as causas forem tratadas corretamente, o enfoque dado por órgãos e entidades à questão da prevenção se torna vital em contraposição à imagem de suicídio veiculada ou comentada muitas vezes em todos os locais que eles ocorrem", analisa a psicóloga Maria Celeste Rodelli, da equipe do Hospital Estadual (HE) de Bauru.
Diante dessa preocupação com a saúde mental, a profissional destaca um estudo da Universidade de Oxford (2020). Essa pesquisa aponta que os impactos psicológicos da pandemia de Covid-19 poderão ser muito mais elevados e duradouros que os efeitos puramente somáticos da infecção. "Segundo esse estudo, um a cada 16 pacientes com Covid-19, que nunca teve uma doença mental, será diagnosticado com algum transtorno desse tipo dentro de três meses após a infecção. A atenção deve ser ainda maior para quem tem transtornos mentais já instalados e pessoas com tentativas prévias de suicídio ou que apresentam pensamentos e ideação suicida. São esses os grupos mais vulneráveis no contexto da pandemia, além de idosos, crianças e doentes crônicos", informa Maria Celeste.
FATORES FUNDAMENTAIS
Para a médica psiquiatra Sheilla Ducatti, coordenadora do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Base de Bauru, alguns fatores são fundamentais para preservar a saúde mental durante a pandemia, como manter boa qualidade de sono, evitando alterar demais o ritmo biológico; praticar atividade física, que é um instrumento poderoso para manter a imunidade forte; evitar abuso de álcool, que tem um efeito depressivo e ansiogênico; e minimizar o acesso informações sobre a Covid de uma maneira excessiva.
SINAIS DE ALTERAÇÃO
"Um dos problemas dessa pandemia é o bombardeio de notícias sobre a doença. É preciso regular o acesso a informações e escolher fontes confiáveis", destaca. Segundo a especialista, isolamento social para além do que é considerado normal atualmente, irritação fácil, agressividade, queda no rendimento de tarefas cotidianas, perda de interesse em atividades que antes eram feitas com prazer, comentários autodepreciativos frequentes e insistentes sobre morte são alguns sinais de alteração de comportamento que podem servir de alerta na prevenção do suicídio.