08 de julho de 2026
Internacional

Belarus volta a reprimir protestos

FolhaPress
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Bruxelas - Desapareceu na manhã desta quarta-feira (9) mais um líder da oposição à ditadura bielorrussa, o advogado Maksim Znak, 37 anos.

Dos sete principais dirigentes do chamado conselho de transição, não reconhecido como vencedor das últimas eleições, apenas a escritora Svetlana Aleksiévich, 72, não foi presa ou retirada do país. Os protestos nas ruas estão cada vez mais fortes e, também cada vez mais reprimidos pelo governo de Belarus.

"Primeiro, o país foi sequestrado de nós. Os melhores de nós estão sendo sequestrados. Mas, no lugar dos arrancados de nossas fileiras, centenas de outros virão", escreveu pela manhã Aleksiévich, prêmio Nobel de Literatura em 2015.

A ditadura não acredita que os protestos sejam espontâneos e descentralizados e adotou a estratégia de calar os membros do conselho para tentar esfriar as manifestações populares que hoje, quinta-feira, dia 10, devem chegar ao 32º dia.

O DITADOR

"Lukashenko diz que não vai falar com a rua, e a rua tem centenas de milhares de pessoas que saem todos os domingos e todos os dias. Esta não é uma rua. Este é o povo. As pessoas saem com seus filhos porque acreditam que vão vencer", escreveu Aleksiévich.

Lukashenko foi membro do Partido Comunista da União Soviética até a Bielorrússia e os outros estados soviéticos tornarem-se independentes. Ele tem experiência militar e está há 25 anos no poder. Na última eleição disse ter recebido 82% dos votos válidos.

Embora Aleksiévich esteja convencida de que Znak foi levado pela ditadura, e testemunhas digam que ele foi colocado em um carro por policiais e levado para local desconhecido por volta das 11h45 (horário local, 5h45 no Brasil), não há informações oficiais. 

Antes de desaparecer, o advogado disse em telefonema a colegas que havia homens em frente ao prédio em que estava. A ligação caiu, e ele enviou a palavra "máscaras". Depois disso, seu celular ficou indisponível.

O site independente Tut.by, o único que ainda não foi bloqueado pela ditadura, publicou fotos enviadas por leitores que mostram mascarados na porta do prédio dele.