07 de julho de 2026
Nacional

Pausa em teste de vacina é normal

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

A suspensão dos testes com a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, divulgada na terça-feira (8), deve ter impactos no cronograma da nova vacina, mas é uma intercorrência considerada normal durante a busca por um imunizante seguro e eficaz, avaliam especialistas. A vacina está sendo testada em vários países, incluindo o Brasil, e a interrupção se deu após suspeita de reação adversa grave em um voluntário do Reino Unido.

"Isso é o que pode acontecer em todas as pesquisas clínicas e no desenvolvimento de qualquer vacina. É importante que as pessoas saibam que, quando faz pesquisa, é feito um monitoramento rigoroso das pessoas que estão participando e, qualquer coisa que aconteça em termos de saúde, tem de ser relatada como evento adverso. Como está no período de observação da vacina, a situação tem de ser avaliada pela equipe e por auditores externos", explica Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Ele exemplifica que, caso um voluntário tenha um enfarte agudo, um derrame e até em caso de atropelamento, a situação precisa ser avaliada. "Se uma pessoa é atropelada após tomar uma vacina, é um evento adverso grave, porque pode ter sido atropelada porque ficou tonta e caiu. Tudo é tratado como evento adverso até ser avaliado por um comitê externo."

Segundo Cunha, a suspensão não significa que o estudo foi completamente interrompido e que o que foi feito até o momento será perdido. "O monitoramento continua, o que suspende é a inclusão de novos indivíduos na pesquisa. O tempo que vai demorar para retomar a pesquisa depende da avaliação e conclusão (desse processo). Isso afeta o cronograma, porque essa avaliação nem sempre consegue ter resultados rapidamente."

AVIÕES CARGUEIROS

O transporte de carga tem sido a menina dos olhos do setor aéreo durante o período de crise provocado pela pandemia do coronavírus. O segmento hoje está em um momento favorável e deve iniciar uma retomada acelerada nos próximos meses. O maior desafio hoje, entretanto, será a logística para espalhar a tão esperada vacina contra o vírus no mundo.

Segundo cálculos da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), levar uma dose única da vacina a 7,8 bilhões de pessoas ocuparia por completo 8 mil cargueiros Boeing 747, uma das maiores aeronaves do mundo.

Na América Latina o desafio é ainda maior, com empresas abandonando de vez a região e grupos importantes em dificuldade financeira.