Moscou - China e Índia declararam que o impasse na região disputada pelos dois países no Himalaia "não é do interesse dos dois lados" e prometeram medidas para reduzir a alta tensão que já provocou mortes neste ano.
Os chanceleres dos dois países, o chinês Wang Yi e o indiano Subrahmanyam Jaishankar, se encontraram na noite de quinta (10) em Moscou, onde ocorre uma reunião da Organização de Cooperação de Xangai, um ente multilateral asiático.
"Os ministros concordam que, à medida que a situação se acalmar, os dois lados devem acelerar medidas de confiança mútua para manter a paz", afirmou o texto, citando como prioridade desengajar as tropas na região da Linha de Controle --a fronteira de fato dos países na região.
Não foram anunciadas medidas concretas, contudo. Na segunda-feira (7), houve o primeiro tiroteio na área desde que um cessar-fogo foi estabelecido em 1996. A disputa remonta à formação dos dois países em sua versão moderna, no fim dos anos 1940.
Em 1962, eles foram à guerra, vencida pelos chineses. Mas as escaramuças seguem e a tensão escalou novamente em maio deste ano, com provocações de lado a lado.
Em junho, houve o pior incidente em 53 anos, com a morte de 20 indianos e um número desconhecido de chineses, que ainda respeitaram o cessar-fogo e se atacaram com paus e pedras.
Há duas semanas, indianos ocuparam quatro posições defensivas perto do lago Pangong, algo visto como uma violação pela China. Na segunda, houve o tiroteio, pelo qual os dois lados se acusaram.
Como não é prudente dois Estados com armas nucleares ficarem trocando tiros, os chanceleres resolveram se encontrar. A ver se dará certo, dado que esforços anteriores não lograram sucesso. A China tem 320 ogivas nucleares, ante 150 da Índia.