09 de julho de 2026
Entrevista da semana

De corpo e alma pela arte

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Foi durante a infância, em Bauru, que Gabriel Luiz de Lavor Pinto, conhecido como Gabriel Potter, de 33 anos, descobriu a vocação pela arte. O nu artístico, trabalho que ele desenvolve há seis anos, está, inclusive, perpetuado em sua pele, afinal, carrega uma tatuagem do tipo no antebraço, além de muitas outras pelo restante do corpo.

Com os 500 ensaios sensuais já feitos, o artista aprendeu a valorizar a mulher sem vulgarizá-la. O primor do seu trabalho fez com que ele recebesse, em 2017, o Selo de Fotógrafo Oficial da Playboy.

Além disso, Gabriel, que é designer gráfico de formação, também possui uma agência de clipes para promover músicos locais - principalmente, do rap - junto ao cenário nacional. Filho do autônomo Luiz Augusto Pinto, de 59, e da auxiliar de serviços gerais Suely Pompeu Lavor, de 55, o artista tem uma única irmã, Gabriela Pompeu Lavor Pinto, de 25.

Abaixo, ele narra os detalhes da sua vida pessoal e profissional, que se resume, basicamente, em arte. Confira alguns trechos da entrevista:

Jornal da Cidade - Como foi sua infância?

Gabriel Potter - Eu nasci em São Paulo, mas cheguei a Bauru muito novo, porque o meu pai conseguiu um emprego na Ambev, em Agudos. Desde pequeno, já desenhava bastante. 

JC - Como surgiu o apelido 'Potter'?

Gabriel - Na minha juventude, bem na época em que o primeiro filme da saga de Harry Potter estreou nos cinemas, eu fiz um curso de mágica. Para ajudar, assim como o personagem, também usava óculos.

JC - Além do desenho e da mágica, você se envolveu com alguma outra atividade artística na sua juventude?

Gabriel - Eu também me envolvi com o grafite e tocava trompete na banda bauruense Clarence Full Dead. A minha vida é e sempre foi 110% ligada à arte.

JC - O design gráfico foi uma consequência natural disso tudo?

Gabriel - Sim. Antes de entrar na faculdade, eu já era autodidata no Corel Draw. Depois de passar pelo curso, que fiz na Unip, em Bauru, aprendi a mexer com todos os programas do Pacote Adobe.

JC - E de onde você tirou a inspiração para o nu artístico?

Gabriel - Mesmo enquanto criança, a minha mãe nunca me proibiu de ver a Playboy, exceto aquelas fotos mais explícitas. Desde aquela época, eu ficava curioso para saber como faziam os ensaios.

JC - Falando em Playboy, você já fez um trabalho para a revista, correto?

Gabriel - Em 2017, eles descobriram o meu Instagram e postaram o meu trabalho na sua timeline. Depois, conquistei o Selo de Fotógrafo Oficial da Playboy. Na época, fiz parte de uma campanha especial de Dia dos Namorados, na qual as mulheres pagavam pelo ensaio e ganhavam duas revistas com elas na capa.

JC - Já fotografou alguma mulher famosa?

Gabriel - Na Playboy, não. Fora dela, eu já fotografei a Bruna Honório, que é jogadora da Seleção Brasileira de Vôlei, na época em que ela atuava junto ao Sesi Vôlei Bauru. Também fiz um ensaio com a Valquíria, outra atleta do time local.

JC - Como você consegue destacar a beleza natural da mulher sem vulgarizá-la?

Gabriel - Eu uso a técnica francesa chamada "boudoir", que mostra e, ao mesmo tempo, não mostra. Também peço para as modelos trocarem o salto pelos pés descalços. Não posso deixar de mencionar o trabalho fantástico da maquiadora que me acompanha, a Beatriz Torres Make Up.

JC - Quais técnicas você utiliza para deixá-las confortáveis?

Gabriel - Em primeiro lugar, as mulheres não precisam tirar a roupa de imediato, afinal, o ensaio é um processo. Além disso, eu só olho para o corpo delas através da máquina fotográfica.

JC - Qual é o perfil das mulheres que você fotografa?

Gabriel - Em Bauru, a grande maioria é de meninas que gostam muito de ser fotografadas. Em São Paulo, eu atendo a modelos alternativas, que vivem da própria imagem. Inclusive, cheguei a fazer nu em plena luz do dia no Vale do Anhangabaú.

JC - Os ensaios sensuais conseguem melhorar a autoestima das mulheres?

Gabriel - Muito. Para você ter ideia, certa vez, eu fotografei uma senhora de 61 anos, que havia sofrido bastante com o marido. Ela passou a tarde feliz e a filha chegou até a se emocionar com isso.

JC - E como nasceu o interesse pela produção musical?

Gabriel - Logo que aprendi a mexer com o Corel, eu passei a ser produtor da banda bauruense Calibrados, na qual o meu primo Euler toca bateria. Neste período, também fazia imagens dos caras no palco, fato que me abriu muitas portas. Tanto que já fotografei diversos famosos, como Ira!, J.J. Jackson, Velhas Virgens, Far From Alaska etc.

JC - E, hoje, você tem uma agência, certo?

Gabriel - Eu tenho uma agência chamada Skylab, em parceria com o Canela e o Bruno Rocco. O primeiro produziu o bauruense Coruja BC1, grande referência do rap nacional. Já o segundo trabalhou com a Move Over na época em que a banda participou daquele reality da Globo. Nós lapidamos os artistas da cidade sem cobrar qualquer quantia. Porém, depois que as músicas chegam ao streaming, nós fazemos um contrato de porcentagem. A agência surgiu, justamente, para suprir as deficiências da área no município, como a falta de visão de mercado, de disponibilidade de algumas pessoas e de oportunidade propriamente dita.

JC - Por fim, quais são os seus planos futuros?

Gabriel - Eu planejo lançar uma revista digital com assinatura para maiores de idade, algo semelhante à Playboy. Porém, ainda não tenho data para por este plano em prática.