A Estação Ecológica Sebastião Aleixo da Silva, conhecida como Estação Ecológica de Bauru (Esec), foi castigada pelas chamas pelo segundo dia seguido. Nesta quinta-feira (17), ambientalistas estimavam que, pelo menos, um terço dos 287 hectares da área de proteção já havia sido destruído. Centenas de pessoas trabalham para evitar que o fogo avance ainda mais pela floresta, que é o último remanescente de Mata Atlântica nativa na região administrativa de Bauru e da Bacia do Tietê-Batalha. Até o fechamento desta edição, o incêndio não havia sido totalmente controlado.
Apesar de ainda não haver um balanço total da área devastada, as autoridades já tratam o prejuízo ambiental como sem precedentes. O ecossistema abriga 193 espécies de animais e 226 tipos de árvores, dentre eles, espécies exóticas e ameaçadas de extinção.
A Esec foi criada em 1987 e é considerada uma das mais importantes do Estado pelo seu nível de preservação, conforme conta o zootecnista Luiz Pires. "É o primeiro incêndio de grandes proporções registrado no local. Apesar de ser uma área pequena, tem uma riqueza de biodiversidade muito grande. É o último lugar em que são encontradas algumas espécies endêmicas e podem desaparecer da nossa região", avalia.
Outra preocupação é pelo fato de a Mata Atlântica demorar muito mais a se regenerar do que o Cerrado, por exemplo. "Não sabemos como a floresta vai se comportar após um incêndio dessa proporção, porque é a primeira vez que algo assim acontece ali. Como é uma área isolada, fica mais difícil a recuperação. Muitas dessas árvores podem desaparecer e desestabilizar todo o ecossistema. O mais importante é que chegue chuva o mais rápido possível", ressalta Pires.
COMBATE
Os bombeiros combatem o incêndio desde as 15h de quarta-feira (16). "Nossas equipes atravessaram a noite no local. Porém, o trabalho é muito difícil, porque a mata é fechada. Entrar com a viatura é impossível. Temos que avançar a pé, que também é complicado, e fazer o combate com equipamentos manuais", explica o coronel Victor Freitas de Carvalho, responsável pelo Comando de Bombeiros do Interior 2.
O comandante ainda relata que o fogo, nesta quinta, também avançou para uma área de reflorestamento de eucaliptos vizinha, aumentando os danos.
O prefeito Clodoaldo Gazzetta esteve, ontem, na reserva ecológica. "Para auxiliar, enviamos brigadistas do Jardim Botânico e da Semma que foram treinados após o incêndio no Botânico, com todo o maquinário necessário", comenta o chefe do Executivo municipal, relembrando outro desastre ambiental na cidade, ocorrido em outubro de 2019, quando 60 hectares de uma mata nativa de cerrado foram destruídos pelas chamas.
INCALCULÁVEL
O deputado federal e ambientalista Rodrigo Agostinho também acompanha a ocorrência no local, desde anteontem. "Não teremos como saber o tamanho do estrago até o final desse fogo. De um dia para o outro, estimamos que um terço foi queimado. Como ainda continua, pode ser que se torne realmente uma tragédia", lamenta. "A gente precisa se preparar melhor. Bauru é uma cidade cercada de florestas ainda, isso é bom. Mas as mudanças climáticas chegaram, o fogo está em todo lugar. A estrutura que temos para enfrentamento ainda é pequena. Não podemos ficar assistindo essas coisas acontecerem", critica Agostinho.
Já a Polícia Militar Ambiental, que também está na área e auxilia na ocorrência, informou que realiza patrulhamentos diários na estação e no entorno, em horários distintos, para evitar qualquer tipo de degradação.
A Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado, por meio da Fundação Florestal, responsável pelo local, informou, por meio de nota, que as ações para recuperação da área serão definidas após o controle das chamas e que as causas do incêndio serão investigadas pelas autoridades competentes.
Além do Corpo de Bombeiros, Prefeitura de Bauru e Polícia Ambiental, auxiliam no combate Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Águia), Defesa Civil Estadual e Municipal, brigadistas da Bracell e DAE, com caminhões-pipa.