Londres - A advogada Amal Clooney, mulher do astro de cinema George Clooney e especialista em questões de direitos humanos, entregou seu cargo no governo britânico, no qual era enviada especial para assuntos de liberdade de imprensa, em protesto contra a chamada Lei do Mercado Interno do Reino Unido. O projeto defendido pelo primeiro-ministro, Boris Johnson, indica uma ruptura de maneira unilateral do Brexit, acordo para que país deixe a União Europeia.
A informação foi divulgada nesta sexta-feira (18) pelo jornal The Guardian. Em carta enviada hoje ao secretário de Assuntos Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, ela critica Boris Johnson e classifica as ações do governo como "lamentáveis".
A Lei do Mercado Interno, se aprovada, permitiria que o Reino Unido exerça o controle alfandegário no Mar da Irlanda, violando um acordo de 1998 -na ocasião, o tratado encerrou conflitos na Irlanda do Norte, entre defensores da unificação com a República da Irlanda e apoiadores da união com a Grã-Bretanha, permitindo a livre circulação entre as duas Irlandas.
A nova lei daria sinal verde para que o governo britânico regulasse o comércio interno caso o país deixe a União Europeia sem um acordo de comércio bilateral até 31 de dezembro ?o que, entre outras questões, viabilizaria a criação de um novo Escritório para o Mercado Interno e a tomada de decisões unilaterais em relação à Irlanda do Norte
"Fiquei consternada ao saber que o governo pretende aprovar uma legislação a Lei do Mercado Interno que, se promulgada, iria, como o próprio governo admite, 'infringir o direito internacional'", afirma Amal Clooney na carta.
A decisão de Amal Clooney vem apenas dois dias depois do anúncio de que Richard Keen, advogado-geral do governo para a Escócia, estava deixando o cargo, no qual estava desde 2015. Antes, Jonathan Jones, secretário do departamento legal do governo britânico, também abdicara do posto que ocupava.