10 de julho de 2026
Geral

Antes excepcional, telemedicina deverá fazer parte da sua vida a partir de agora

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Seja para estudar, trabalhar, fazer compras, pagar contas ou apenas para manter contato com outras pessoas via computador ou celular, a tecnologia digital permeia o cotidiano da maioria das pessoas hoje em dia. E mais uma área, a medicina, que há pouco ainda enfrentava algumas barreiras, começa a dar passos importantes dentro deste universo.

A chamada telemedicina foi autorizada por meio de lei federal a partir de abril deste ano, em caráter de excepcionalidade enquanto durar a pandemia da Covid-19. Porém, especialistas apontam que a ferramenta, que permite a realização de consultas e acompanhamento de pacientes de modo virtual, veio, de fato, para ficar.

O assunto vem sendo debatido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que pretende apresentar, nos próximos meses, uma proposta de minuta de resolução visando garantir a prática da modalidade de forma ética, técnica e segura. A lei federal que já está em vigor foi, inclusive, dentro de sua natureza emergencial, chancelada pela entidade.

O objetivo inicial da autorização para a prática da telemedicina é garantir que pacientes com quadro de saúde não graves possam manter o isolamento social necessário para reduzir a propagação do novo coronavírus. Porém, a expectativa é de que a pandemia seja um catalisador para a expansão do modelo de atendimento no Brasil, como forma de tornar a assistência médica mais acessível e eficiente.

COMPLEMENTO

O CFM frisa, contudo, que a telemedicina não terá a função de substituir a presença física do médico. De acordo com o órgão, "o padrão-ouro é o atendimento presencial", sendo a telemedicina "um ato médico complementar", que visa facilitar o acesso à saúde.

Cirurgião vascular do Hospital da Unimed de Bauru, Francisco Simi conta que os atendimentos virtuais tiveram início na unidade em abril, em meio ao crescente receio de pacientes em buscar auxílio médico durante a pandemia. O medo, ele conta, era maior entre os indivíduos que pertencem ao grupo de risco para a Covid-19, como idosos e doentes crônicos, justamente aqueles que podem sofrer consequências graves diante da demora em receber assistência de saúde.

"Quando a telemedicina foi disponibilizada, estes pacientes começaram a procurar este tipo de atendimento. Por ser algo novo, percebemos uma certa resistência no início, inclusive entre os médicos, mas a telemedicina é um caminho sem volta. É uma ferramenta útil, que veio para ficar", comenta.

POSSIBILIDADES

Por meio da telemedicina, os médicos podem, hoje, realizar consultas para analisar a queixa e eventuais sintomas do paciente e, se necessário, emitir atestados, receitas médicas, pedidos de exames ou, ainda, fazer o encaminhamento para um serviço de urgência. Em algumas situações, a primeira consulta também pode ser presencial, porém, com retorno online para avaliação de exames ou da evolução de tratamentos feitos em casa.

Também é possível fazer o acompanhamento de pacientes com doenças crônicas, que precisam, periodicamente, realizar exames de rotina.