03 de abril de 2026
Articulistas

Recuperação econômica: na sopa de letras, eis o 'K'

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Muitas teses de como se dará a recuperação econômica mundial, e em especial a brasileira, têm sido defendidas. Eu mesmo, aqui neste espaço, já tratei do tema. Além de muitas análises e projeções, temos o que podemos denominar de verdadeira sopa de letras. Não bastassem o "V", "W", "U", agora temos o "K".

Vamos rememorar alguns conceitos até chegarmos ao "K". Uma tese é que, devido à pandemia, a recuperação econômica em muitos países se dará em "V". Houve queda acentuada da atividade econômica, mas a geração de riquezas voltaria com vigor muito rapidamente.

O "W" indica que o desempenho econômico caiu, isso é verdadeiro, bateu no fundo, voltaria a crescer, mas uma segunda onda, derrubaria novamente os indicadores de atividade econômica, voltando a crescer em seguida. Neste cenário quem sobreviveu a primeira onda, sofreria muito na segunda onda, podendo não suportar as consequências da crise.

O "U", para mim o cenário até agora mais provável, indicaria queda na atividade econômica e recuperação muito lenta da economia.

Com o surgimento da leitura de que o "K" representaria melhor este momento da economia mundial, nos fez refletir sobre a não uniformidade no comportamento dos setores da economia e dos agentes econômicos como um todo. Nesta tese a economia despencou, e a recuperação se dará em duas dimensões: os vencedores, representados pela perna ascendente da letra, e os perdedores, no caso representados pela perna descendente do "K".

De fato, a pandemia pegou cada País um determinado momento econômico. Alguns Países estavam com a economia consolidada, sustentada, e podem ter recuperação mais rápida e, diria, uniforme, com a letra V. Outras economias mais debilitadas poderiam operar em "W". Alguns Países, como o Brasil, com dimensão continental e matriz econômica diferente nas várias regiões, podem se recuperar em "U" ou "K".

Independentemente da leitura sobre o comportamento da economia, uma coisa é certa: se não ocorrer uma segunda onda da Covid-19, como cogitada, por exemplo, no Reino Unido, podemos afirmar que o pior ficou para trás, no primeiro semestre. Isso posto, teremos sim no pós-pandemia vencedores e perdedores, e as perspectivas positivas de longo virá da capacidade de cada País, em especial o Brasil, de focar no ajuste fiscal, demonstrar que é possível fazer com que a economia opere no equilíbrio e acima de tudo, que há estratégia para que, mesmo no longo do tempo, as coisas voltem ao "normal".

Na verdadeira sopa de letras, mais uma para nossa reflexão.

O autor é economista, presidente da Acib.