11 de julho de 2026
Geral

Aquecimento das câmaras frias causou incêndio na Ceagesp, diz Polícia Civil

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Três meses após um incêndio de grandes proporções que destruiu um galpão de 850 metros quadrados dentro da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), em Bauru, a Polícia Civil relatou o inquérito à Justiça. No documento, apresentado à 1.ª Vara Criminal na última sexta-feira (18), o órgão aponta que o fogo foi causado por um superaquecimento das câmaras frias daquele local.

De acordo com o delegado responsável pelo inquérito policial, Dinair José da Silva, a propagação das chamas ocorreu de forma rápida por vários motivos. "O local abrigava materiais altamente inflamáveis, como as caixas de madeira, os pneus e a alvenaria da própria construção, a fiação era bastante antiga e o galpão estava fechado, atrasando o acesso de quem trabalhou para cessar o fogo", descreve.

Embora o delegado não tenha identificado a prática de incêndio criminoso, ele qualificou o incidente como um crime de poluição ambiental, previsto no artigo 54 da Lei n.º 9.605, de 1998. Depois da apreciação da Justiça, o inquérito poderá ser arquivado, virar uma denúncia ou retornar para a Polícia Civil continuar investigando.

PERDEU ATÉ O FIADO

Permissionário da Ceagesp há sete anos, Gilson Henrique, de 31, trabalha com legumes em geral e frutas congeladas. Até hoje, o comerciante não consegue nem mesmo dimensionar o seu prejuízo total.

Isso porque o homem perdeu todas as anotações das vendas feitas a fiado. "Eu acredito que o montante girava em torno de R$ 30 a R$ 70 mil. Alguns clientes até vieram acertar o que deviam, mas tive de confiar na quantia relatada pelos mesmos", observa.

Poucos dias após o incidente, Gilson pensou em desistir do negócio, que já estava impactado pela pandemia, afinal, os seus maiores clientes, bares e restaurantes, ficaram um bom tempo impedidos de abrir ao público.

Incentivado pelos amigos, o permissionário optou por se reerguer. "No início, eu fiquei em outro espaço dentro da Ceagesp, onde coloquei uma tenda alugada para trabalhar em dias chuvosos. Agora, consegui construir um box improvisado e a flexibilização dos serviços não essenciais permitiu a retomada gradual das vendas", revela.

Colega de Gilson, Miguel Ponce, de 44 anos, comercializa melancias e abacaxis. Ele alugava três boxes dentro do galpão destruído pelo fogo e havia acabado de reformá-los. Por isso, o comerciante chegou a perder R$ 200 mil.

De acordo com ele, a Ceagesp costumava fazer a manutenção do espaço, mas, de dez anos para cá, não presenciou qualquer movimentação neste sentido. "Além disso, nós não tivemos nem um mês de carência do aluguel, fato que levará ainda mais tempo para nos recuperarmos do prejuízo", critica.