Principais produtos da cesta básica, o arroz, feijão e óleo registraram um aumento dos seus preços em todo o País e, de um mês para cá, como consequência direta, houve uma queda de até 80% das doações às famílias menos abastadas de Bauru. Em vista disso, alguns voluntários precisaram substituir os alimentos para não deixá-las desassistidas por completo.
Uma das líderes do De Grão em Grão, em Bauru, Tatiana Calmon Karnaval, revela que, neste mês, as doações entregues ao grupo caíram cerca de 70%.
Ainda segundo Tatiana, a reportagem publicada pelo Jornal da Cidade em 12 de agosto deste ano rendeu inúmeros donativos ao De Grão em Grão.
Os alimentos permitiram que os voluntários atendessem às comunidades do Jardim Manchester e do Virgínia Rainha, como sempre o fizeram, até a semana passada. Mas, agora, acabaram.
ARROZ POR PÃO
Já a coordenadora da Casa da Sopa da Vila Dutra, Rose Lopes, frisa que as arrecadações caíram 80% de um mês para cá. "Nós tínhamos um ponto de coleta em um supermercado e costumávamos receber 50 pacotes de cinco quilos de arroz por semana, mas quantidade diminuiu para seis".
Embora reconheça que seja difícil mudar a cultura do arroz com feijão, Rose precisou substituir ambos os mantimentos. "Nós compramos legumes na Ceagesp e pegamos doações de pães com as padarias", descreve.
Idealizadora do Esquadrão do Bem - Somos Unidos no Amor, Maria Inês Faneco também estima que as arrecadações tiveram uma queda de 80%. "Nós visitávamos seis comunidades e, atualmente, só conseguimos ajudar quatro delas, ou seja, deixamos de assistir cerca de 300 famílias", narra.
Faneco passou, ainda, a substituir o arroz pela farinha de mandioca. "Quando as famílias não têm leite, pegam a água do cozimento do arroz e colocam açúcar para dar às crianças. Logo, a escassez do mantimento traz um impacto muito negativo", observa.
SEM DOAÇÕES
Presidente do Fundo Social de Solidariedade, a primeira-dama Lázara Gazzetta relata que, desde 1 de setembro, quando a entidade recebeu 30 cestas básicas, não chega qualquer doação por lá.
A primeira-dama, porém, garante que as famílias assistidas pela prefeitura não ficarão sem os mantimentos, afinal, o município adquiriu, no mês passado, 20 mil cestas.
O Fundo Social, contudo, também auxiliava os grupos independentes e as entidades não cadastradas junto ao poder público municipal. Por isso, Lázara já entrou em contato com os supermercados da cidade pedindo ajuda.