11 de julho de 2026
Regional

Com queda nas doações de órgãos, os hospitais reforçam as orientações

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Como parte da campanha "Setembro Verde", e diante de uma redução na taxa de doadores de órgãos no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2019, dois hospitais de Jaú (47 quilômetros de Bauru) estão reforçando ações de conscientização sobre a importância deste procedimento que, muitas vezes, é a única esperança de vida para um paciente que está na fila de espera.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos é celebrado neste domingo (27). De acordo com a Santa Casa de Jaú, contudo, a Covid-19 não permitiu que a data fosse comemorada da forma como deveria. O hospital conta que a pandemia derrubou os índices de novos doadores neste ano. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), a redução foi de 6,5% em relação ao ano passado.

"Só na Santa Casa de Jaú, de janeiro a setembro de 2019, foram registrados 80 procedimentos de doação, sendo 77 córneas e 3 múltiplos órgãos (fígado, rins, pâncreas, coração e córneas). No mesmo período de 2020, o número chegou a 24 doações, com 20 córneas e quatro múltiplos órgãos (fígado, rins e córneas)", revela.

Desde 2007, o hospital conta com a Comissão Intra Hospitalar de Transplante (CIHT), que tem a função de orientar e apoiar o processo de doação, prestando a assistência necessária à família do doador. Atualmente, a CIHT é composta por um médico coordenador, quatro enfermeiras e seis técnicos.

A enfermeira coordenadora da comissão, Luciane Carraro, explica que o coronavírus colocou limitações às captações de órgãos. A principal delas é a realização de exames para Covid-19 nos possíveis doadores. Se o resultado for positivo, a doação não é realizada.

As córneas também deixaram de ser captadas em caso de morte após parada cardíaca. Agora, elas só podem ser aproveitadas em caso de morte encefálica, condição necessária para a captação dos demais órgãos.

"É extremamente fundamental manifestar à família, em vida, o desejo de ser doador. Somente os familiares podem autorizar o ato. Nossa missão, na CIHT, é promover mudanças de atitudes e valores e trazer informações aos familiares e mesmo aos profissionais do hospital para que potenciais doadores se transformem em doadores efetivos", explica.

MEDULA

Já o Hospital Amaral Carvalho (HAC) de Jaú mantém o maior serviço de transplante de medula óssea do Brasil. Só no ano passado, a unidade de TMO do hospital realizou 240 transplantes, totalizando 3.423 desde a sua criação, em 1996. Uma das pacientes que recebeu uma nova medula por meio do HAC foi Valdete Vilas Boas, de São João do Ivaí, Paraná, que foi diagnosticada com leucemia em 2005. Neste ano, ela comemora 15 anos de uma nova vida.

"Cada ano é uma comemoração. A gente nasce de novo. E, se hoje estou aqui, é graças à solidariedade de outra pessoa que se dispôs a ajudar. Então, entendo a importância desse gesto e incentivo os demais. Doar órgãos e medula pode salvar a vida de alguém como eu. Não custa ajudar", declara. Para doar medula óssea, é necessário procurar um Hemocentro ou Hemonúcleo mais próximo para cadastro no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).