Foi com satisfação que ganhei do amigo Arthur Monteiro Júnior, advogado e jornalista, o livro "O fim e o começo", de Bruno Sanches, membro da Academia Bauruense de Letras (ABL), com autógrafo do autor. É seu livro de estreia e posso dizer, abertamente, que estreou muito bem. Recomendo.
Comecei a ler no feriado (7/9) e li continuamente. Foi uma leitura de um fôlego só. Mais que ler, é preciso beber as palavras. São treze contos sobre situações diversas, alucinantes, psicodélicas, realidades imaginárias, fragmentos da vida, prisma de palavras (cores verbais), treze narrativas que compõem uma "partitura musical" - a música está nas ideias, nas citações, no vasto conhecimento do autor sobre esta arte, mas, sobretudo na poesia que escorre como seiva no conjunto, levando espontaneamente à reflexão. A diversão desemboca no pensamento. Afinal, Bruno Sanches é poeta, e quando um poeta escreve prosa, a poesia pode ser apalpada. Durante as breves horas de leitura, questionei comigo mesmo os limites entre os sonhos e as realizações. Senti-me renovado interiormente. A inspiração fluiu.
É curioso que, na diagramação textual da Editora Mireveja, o primeiro conto seja iniciado na página 13 (lembrando que são treze contos), e o conto que dá título ao livro, "O fim e o começo", seja o último, mostrando que todo fim é um começo. De alguma forma, sempre é. Também observei ser um livro repleto de imagens e significações, algo cabalístico, no sentido judaico da palavra, ou seja, simbólico, revelador. Cada leitor julga por si mesmo os personagens (que parecem de carne e osso; alguns são, outros talvez sejam), absorve o que transmitem, aprova ou não suas condutas, alegra-se, emociona-se, ri, chora, porém, aprende com suas vivências. E se ler novamente, enxergará coisas diferentes, terá outras sensações. Este é o sentido da literatura. Em "Moonwalk Num Domingo Sangrento", percebi mais de uma referência a Bauru. Será que se passa nesta cidade? Paira uma dúvida no ar. Particularmente, o conto que mais me tocou foi "Silent Lucidity". Este foi fundo, trouxe certas lembranças, provocou lágrimas, ficou na memória do coração. O final deste conto é sublime:
"(...) No fim de tudo, eu cheguei à conclusão de que a gente só não dá jeito mesmo é na saudade." (pg. 119)