09 de julho de 2026
Geral

Idosos não têm como levar água do caminhão-pipa até caixa

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Em vigor desde o último dia 16, o rodízio de abastecimento nos bairros atendidos pelo Rio Batalha, em Bauru, trouxe à tona um problema que aflige, principalmente, os idosos. Os servidores do Departamento de Água e Esgoto (DAE) não são autorizados a subir nos telhados para encher as caixas d'água com o líquido proveniente dos caminhões-pipa e muitas pessoas não conseguem fazê-lo.

Este é o caso da aposentada Maria Helena Carvalho Ferreira Domingues, de 76 anos, que vive sozinha na rua Vereador Joaquim da Silva Martha, na Vila Santa Tereza, um dos bairros participantes do rodízio. No último dia 18, quando ela deveria receber água, as torneiras da sua casa permaneceram secas.

Passados dois dias, a situação não havia mudado. "A água chega com pouca força, problema que também atinge os demais moradores do meu quarteirão. Por isso, eu solicitei um caminhão-pipa na quarta-feira seguinte", explica.

Contudo, o DAE pediu que a aposentada encontrasse alguém para levar o líquido até a caixa d'água. "Eu não tenho condições de subir com a água e, por sorte, o meu genro me auxiliou", revela.

Como o líquido chega com pouca força até a sua residência, Maria Helena depende de caminhões-pipa para abastecê-la. "É ruim ficar pedindo ajuda toda hora", desabafa.

E AGORA?

Questionada, a assessoria de comunicação da autarquia alega que, em casos excepcionais, envolvendo idosos e pessoas acamadas, os servidores são autorizados a subir desde que o imóvel ofereça o mínimo de segurança.

A regra é anterior à crise hídrica de 2014. Isso porque, quando o DAE acessava as caixas d'água dos munícipes e alguma telha saísse do lugar, os mesmos pediam ressarcimento. Sobre a força d'água do quarteirão de Maria Helena, a assessoria diz que as regiões da área central possuem redes mais antigas, que dificultam a retomada do abastecimento.

Diante disso, os técnicos do DAE fazem análises pontuais para propor possíveis alternativas de melhora da distribuição do líquido. Porém, o órgão não estabeleceu qualquer prazo para que o problema seja, efetivamente, solucionado.

CAMINHÕES-PIPA

Ainda de acordo com a assessoria da autarquia, desde o início do rodízio, no último dia 16, até segunda-feira (28), o órgão havia recebido 443 solicitações de caminhões pipa, sendo 192 para as residências, 219 para o comércio e 32 para os órgãos públicos. Todas já atendidas.

Segundo o DAE, de 4 a 6 caminhões-pipa estão nas ruas diariamente.

Além disso, no decorrer da crise hídrica de 2014, a autarquia registrava mais de 300 solicitações para este tipo de serviço por dia.