11 de julho de 2026
Geral

Onda de calor faz temperatura chegar a 40,2ºC em Bauru; Centro Oeste do Brasil já registra 44,1ºC

Tisa Moraes, Lílian Grasiela e FolhaPress
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru bateu um novo recorde de temperatura máxima nesta quinta-feira (1), dos últimos 40 anos: 40.2 C às 14h20. Bauru seguirá com temperaturas elevadas - e sem previsão de chuvas.

Por volta das 14h25 desta quarta-feira (30), a estação do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) já registrava temperatura de 39,9 graus, maior do que qualquer mês desde 1981, quando a instituição iniciou suas medições no município. 

Uma outra estação que também fica nas dependências do IPMet, mas pertence ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), chegou a aferir temperatura máxima de 40,4 graus por volta das 15h de quarta.

Ainda de acordo com o IPMet, pode haver registro de chuvas isoladas e fracas no início de outubro, porém, precipitações mais significativas só são esperadas entre os dias 10 e 12 deste mês. "É mais ou menos a partir deste período que começa a estação chuvosa. Antes disso, poderemos ter chuvas de curta duração, em pontos isolados, mas que não resolvem, por exemplo, o problema de abastecimento de água", observa o meteorologista José Carlos Figueiredo.

REGIÃO

Nesta quarta-feira (30), a temperatura ultrapassou 40 graus em muitos municípios da região. Em Lins, um termômetro instalado na rua chegou a registrar 43 graus no início da tarde. De acordo com a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, a previsão para os próximos dias é de tempo seco e calor, sem chuva.

O IPMet informou o registro de temperaturas acima de 40 graus, nesta quarta-feira, em Barra Bonita (40 graus), Ibitinga (41,7 graus) e Lins (41,9 graus). Em outras cidades, moradores compartilharam em redes sociais imagens de celulares registrando o forte calor.

Em Iacanga, um aparelho marcou 40 graus. Em Pirajuí, a temperatura registrada foi de 41 graus. Em Jaú, um termômetro no Centro marcou 41 graus no período da tarde. Os relatos dos moradores da região, porém, eram de sensação térmica bem maior. Além do forte calor, o dia foi marcado por tempo seco.

BRASIL

A onda de calor que atinge parte do país fez São Paulo e Mato Grosso do Sul baterem recordes históricos absolutos em muitas cidades, num fenômeno que deverá se manter pelos próximos dias.

A previsão é que ao menos até esta sexta-feira (2), o Centro-Oeste registre temperaturas até cinco graus acima da média histórica. Os termômetros alcançaram 44,1ºC em duas cidades sul-matogrossenses.

De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), foram registrados nesta quarta-feira (30) recordes históricos em Coxim e Água Clara. Até então, a maior temperatura tinha sido de 43,8ºC em Corumbá, em novembro de 1962.

Em Campo Grande, os termômetros marcaram 40,8ºC. Já Mato Grosso, Cuiabá e Rondonópolis registram nesta quinta-feira (1) temperaturas acima de 40ºC.

O fenômeno está ocorrendo, segundo o meteorologista Diogo Arsego, do Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), devido a fatores como a ausência de chuvas, baixa umidade relativa do ar, pouca ou nenhuma nebulosidade e à maior duração dos dias.

"Ao contrário do inverno, em que as noites são mais longas, agora os dias passam a ser mais longos conforme o verão se aproxima, o que significa que o período do dia em que recebemos calor, energia, é maior", afirmou.

Em São Paulo, cidades como Lins (41,9ºC), Jales (41,7ºC), Ibitinga (41,7ºC), Votuporanga (41,3ºC), Presidente Prudente (40,7ºC), Catanduva (40,5ºC), Bauru (40,4ºC) e São Simão (40,4ºC) tiveram recordes de temperatura, ainda segundo o Inmet.

Em Lins e Jales, as temperaturas são as mais altas em 14 anos de registros. Já em Presidente Prudente, Catanduva e São Simão, são recordes desde 1961, quando os dados passaram a ser disponibilizados. Em Votuporanga e Ibitinga, é a maior marca desde 2007 e, em Bauru, a mais alta desde 2001.

A temperatura em Lins é a terceira mais alta da história do estado, abaixo apenas de duas temperaturas registradas em Iguape: 43ºC em fevereiro de 1933 e 42,1ºC em janeiro de 1956.

Na capital, foi o segundo dia mais quente em 78 anos, com 37,1ºC na estação localizada no Mirante de Santana (zona norte de SP), abaixo apenas dos 37,8ºC de 17 de outubro de 2014.

A forte seca é apontada como um dos fatores para a rápida propagação de um incêndio que atingiu a plataforma da estação ferroviária Carlos Gomes, em Campinas, num acidente que resultou ainda em dois carros queimados e em danos em uma locomotiva histórica.

Conforme Arsego, o sul de Goiás também tem apresentado temperaturas mais elevadas e é comum após o fim do inverno as temperaturas máximas ficarem de três a quatro graus acima da média no Centro-Oeste e no Sudeste.

"À medida em que vão se sucedendo os dias mais secos, a situação vai se agravando. Só vai se modificar a partir do momento em que tenha um sistema que rompa esse bloqueio e traga mais nebulosidade, mais condição de chuva."

A previsão é que isso ocorra principalmente a partir do final de semana em regiões como Vale do Ribeira, São Paulo, Campinas, Vale do Paraíba e Rio de Janeiro, com a chegada de uma frente que deverá provocar ligeira queda na temperatura.

Em regiões como a de Ribeirão Preto, o cenário, de acordo com o meteorologista, só deve se modificar a partir do dia 11.