11 de julho de 2026
Política

Desenvolvimento só deslancha se adotado como política de governo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos grandes desafios para o próximo prefeito de Bauru será encontrar soluções para uma difícil equação, que envolve promover o desenvolvimento da cidade - com geração de emprego e renda - em meio às dificuldades financeiras agravadas com a pandemia da Covid-19. Como o JC já divulgou, o orçamento do município para 2021 será menor ou, no máximo, igual ao que foi projetado e está sendo executado em 2020, porém, ao mesmo tempo, o próximo gestor precisará priorizar, em seu plano de governo, o estabelecimento de uma política pública de médio e longo prazos que ajude a cidade a voltar a crescer com qualidade de vida.

Para trazer luz sobre o assunto, o JC inicia hoje uma série de reportagens sobre o tema, já que Bauru, sem receber um olhar mais atento e prioritário para esta área ao longo do tempo, continua registrando indicadores econômicos globais menores do que algumas cidades de médio porte do Estado, como Piracicaba, São José do Rio Preto, Jundiaí e Santos.

Estes municípios, por exemplo, alcançam, ano após ano, Produto Interno Bruto (PIB) superior ao da "Cidade sem Limites". Segundo dados mais recentes do IBGE, o PIB de Bauru foi de R$ 13,7 bilhões em 2017, enquanto o de Jundiaí chegou a R$ 41,2 bilhões e o de Piracicaba a R$ 21,9 bilhões.

EMPREGOS

Da mesma forma, o salário médio mensal dos trabalhadores com carteira assinada também é menor em Bauru. Em 2018, de acordo com o IBGE, a média era de 2,9 salários mínimos, o equivalente a R$ 2.766,60, à época. Já em Jundiaí, o valor era 20% maior, de 3,5 salários mínimos, ou R$ 3.339,00.

E, para piorar, Bauru ainda não conseguiu recuperar as mais de 8 mil vagas de emprego formal perdidas entre 2015 e 2017. Em 2018 e 2019, menos da metade delas foi retomada, porém, em 2020, outros 700 postos de trabalho foram novamente extintos.

A necessidade de estabelecer o desenvolvimento econômico como uma das prioridades da cidade é defendida, por exemplo, pela consultora na área de políticas públicas Aline Fogolin, que vivenciou os desafios desta área durante os três anos e meio em que esteve à frente da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedecon).

GRANDES EMPRESAS

Segundo ela, o próximo prefeito precisará estabelecer um modelo de gestão que favoreça a atração de empresas de médio e grande portes, capazes de alavancar, de maneira mais abrangente, a geração de riquezas, emprego e renda. Vale destacar que não é mera coincidência municípios como Jundiaí e Piracicaba serem mais industrializados e terem PIB e salários maiores que Bauru.

"Nossa cidade nunca teve um plano de desenvolvimento colocado em prática. Pelo menos nos últimos 15 anos, não tivemos nenhum investimento na cadeia industrial do município. Não tivemos investimento nos distritos ou legislações que pudessem desburocratizar os processos de investimento", descreve Aline. Ela lembra que, nesta década e meia, o município se voltou mais à aprovação de empreendimentos residenciais e ao incentivo à micro e pequenas empresas, assim como à formalização de microempreendedores individuais (MEIs).

"Bauru já figurou como um dos dez municípios paulistas com maior número de MEIs. Claro que é um resultado significativo, mas uma cidade não pode viver só de pequenas empresas, ou ainda, se transformar em uma cidade dormitório. É a indústria que mobiliza a cadeia produtiva toda, comércio, serviços, com geração mais abrangente de emprego e renda. Cidades pouco industriais são cidades com pouco potencial para geração de PIB, negócios e atração de investimentos", completa.