Temperaturas altas e o final de semana prolongado começando hoje com feriado da Padroeira do Brasil na segunda-feira (12). Tudo indica que os tradicionais pontos abertos de recreação na água irão lotar novamente. Frequentadores da lagoa da Quinta da Bela Olinda e do trecho do Rio Batalha que passa sob a ponte da estrada velha que liga Bauru a Piratininga comentam que no último final de semana estes locais já receberam dezenas de famílias.
Com grana curta para pagar títulos associativos ou diárias em clubes particulares ou viajar, população de baixa renda enfrenta os riscos que estas áreas sem estruturas oferecem, aguardando o dia em que políticas públicas, de fato, sejam desenvolvidas para fomentar o lazer ou até mesmo o turismo.
"Poderia ser um grande parque municipal", é o que pensa a jovem Letícia Vitória, 18 anos, que, acompanhada de outros adultos e amigos, levou o filho Pedro para se refrescar em uma das margens seguras da lagoa. Ela acrescenta que frequenta o local desde criança e que não sente medo por já conhecer a área e optar em sempre ficar na beirada.
"Há dois anos me mudei de Bauru, mas sempre volto para visitar os familiares e damos um pulinho aqui. A lagoa poderia ser como o parque de Arealva. Deveriam colocar alguns quiosques, explorar para lazer e comércio, criar fontes de renda e atrair visita dos moradores de toda a cidade", deseja Letícia. Ela preferiu não aparecer nas fotos, mas acrescenta que espera que o tema faça parte das discussões neste período eleitoral.
ALERTA
Uma estimativa não oficial aponta que cerca de uma centena de pessoas perderam a vida na lagoa ao longo das últimas décadas. De acordo com um estudo feito por uma empresa privada, divulgado pelo JC em 2019, a lagoa possui desníveis perigosos. Em um trecho a partir da margem da represa, a profundidade varia bruscamente de 23 centímetros para 5,60 metros. Em outro ponto, o mesmo risco: oscilação de 54 centímetros para 6,72 metros. Já no ponto mais profundo, a altura da água chega a 9,91 metros. Letícia e os amigos estavam em um local sem esta acentuada mudança de nível.
PLANO
A atual gestão chegou a mencionar em 2019 um plano de revitalização com área de lazer de 60 mil m² ao custo de R$ 10 milhões, em contrapartida de empreendimentos imobiliários. O início, inclusive, seria no ano passado, mas isso não ocorreu. Procurado pela reportagem ontem, a Administração voltou a dizer que a formação do Parque da Lagoa da Quinta da Bela Olinda segue na contrapartida da licitação das 1.400 casas populares para a região. No entanto, os números mudaram. Segundo a prefeitura, serão destinados R$ 5 milhões para o aterramento da lagoa e a transformação do parque. A licitação está sendo concluída, informa o Município.