Anda cada vez mais difícil encontrar uma empena vazia e cinzenta em São Paulo. Nos prédios da Capital mundial do grafite, como ficou conhecida a cidade, nenhuma daquelas paredes livres de janelas parece imune a um banho de tinta - principalmente depois da quarentena.
Com museus e galerias de arte fechados, São Paulo funciona como um museu a céu aberto recheado de murais coloridos. Muitos assinados por nomes badalados, como o próprio Kobra, a dupla Osgêmeos, Nina Pandolfo, Crânio, Pri Barbosa, Enivo e outros. E os grafites parecem estar aumentando. Na pandemia, enquanto tudo estava parado e de portas fechadas, as latas de spray não descansaram.
O Festival de Arte Urbana NaLata, por exemplo, entregou no fim de agosto 12 obras de 15 artistas na região do largo da Batata, em Pinheiros. Com um feriado batendo à porta e as pessoas ávidas por viagens acessíveis, ir a São Paulo pode ser uma opção interessante. E visitar um "museu ao ar livre" é quase que obrigatório. Por que não?
Também durante a quarentena, o produtor cultural Kléber Pagu propôs um projeto de lei para elevar São Paulo à categoria de galeria a céu aberto, oficializando como polos culturais 30 pontos conhecidos por abrigar grafites. Entre eles, o Beco do Batman, na Vila Madalena, e o Minhocão, que fica na região central.
A proposta foi apresentada na Câmara Municipal pelos vereadores Quito Formiga, Eduardo Suplicy e Toninho Vespoli, mas ainda não tem uma data para ser votada. Enquanto o projeto de lei não avança, Pagu trava outro embate em relação aos grafites da capital. Em novembro do ano passado, a Justiça suspendeu a pintura do mural "Aquário Urbano", no centro. A intervenção pretendia ser a maior do mundo, com 10 mil m² e 15 prédios, mas foi interrompida porque um dos edifícios não permitiu a pintura.
Mas, mesmo incompleta, já é possível visitar a atração. A seguir, veja um roteiro por grafites novos e consagrados de São Paulo - ideal para quem sente saudade dos museus, mas quer fugir de espaços fechados. É só pegar máscara, álcool em gel e aproveitar.